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Cobras 
(comentários e dicas)
 
 
 
 
Introdução
Sobre as cobras
Algumas espécies
perigosas
Acidente com 
picada de cobra
 
____
 Introdução
 
"Passar algumas noites no ambiente natural é mesmo uma maravilha, mas
me incomoda a idéia de repartir meu silvestre aposento com as cobras..."
 
Que nada, os bichinhos estão aí para dar uma certa emoção a mais à coisa,
e é claro, cumprir seus importantes papéis no ecossistema.
Dentre eles, consumir ratos.
Estes sim são mais perigosos.  Por serem nossos "parentes" mamíferos,
têm por isto, uma série de doenças em comum com o Homem.
 Muitas delas foram terríveis flagelos para a humanidade, e outras poderão o ser no futuro.
 
Prevenir-se contra cobras, é só uma questão de adequação.
Conhecer um pouco sobre os bichos, vestir-se e andar adequadamente.
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Sobre as cobras
 
 A maioria das cobras brasileiras mais perigosas, vivem a maior parte do tempo no chão,
e tem especial apreço por tocas, buracos, ocos próximos ao chão,
troncos caídos, galhadas caídas,
vertentes d'água (onde aves e roedores vão matar a sede).
 
Gostam também de algum lugar ao sol.
Diz-se, no Rio Grande do Sul, que estão lagarteando,
pois também os lagartos gostam de ficar ao sol.
 
"Elas podem subir em coisas que não acreditaríamos que sejam capazes".
 
Somente não estamos perdidos, porque,
a grande maioria das espécies mais venenosas não é agressiva.
Isto significa dizer, que somos nós que vamos ao encontro delas, e geralmente caminhando.
 
Nestas condições (de serem pisoteadas),
algumas delas tendem a fugir, se não forem surpreendidas pela nossa pressa.
 
Elas não querem ser pisadas, pois são muito frágeis.
Isto seria fatal para elas.  Pelo menos para as de menor porte.
 Pela sua fragilidade, este comportamento deveria ser regra,
mas infelizmente não é bem assim.
 
Ocorre que muitos comportamentos e reações dos animais, foram incluídas no código genético,
 resultando em reações instintivas que não parecem ter outra explicação.
O medo de cobras é um deles, e está presente em muitas espécies de animais.
 
A coisa se deu mais ou menos assim:
Com o passar dos milênios, os animais que tinham certa aversão às cobras,
e guardavam delas certa distância, morriam menos, e por conseqüência,
deixavam mais descendentes que outros.
Boa parte destes descendentes herdavam os genes deste comportamento e assim por diante.
Desta maneira, houve um predomínio deste comportamento nas populações animais,
que sem muita racionalidade, age assim sem saber por que, ao que chamamos de instinto.
Aquele arrepio que corre na espinha, ouriça os cabelos, arrepia os pelos,
e nem sabemos bem porque isto acontece.  Pode ser um aviso instintivo.
 
 Em resumo: não devemos esperar que as cobras saiam do caminho,
porque nelas foi inserido genes de confiança.
Confiança de que os animais que se depararem com elas
saltarão para trás no primeiro cheiro, visão ou audição.
Como não andamos com o nariz no chão, devemos estar com os dois olhos nele,
e andar de vagar, para termos tempo de lermos o chão,
e com o máximo silêncio possível,
para percebermos qualquer movimento nas nossas proximidades.
 
Muito ajuda a passarmos em lugares brejosos ou com capim alto,
uma robusta e providencial vara longa (uns 2 m), para batermos na vegetação,
e termos chance de vermos a movimentação da cobra correndo ou dando bote na vara.
Para o ser humano,
ainda não se sabe exatamente se a aversão à cobras é instinto ou aprendizado.
O que, no âmbito prático, não faz muita diferença.
 
Fique portanto, de olhos abertos, e logicamente,
virados para o chão quando estiver caminhando.
Parece uma recomendação tola, mas muitas pessoas,
dão boas passadas olhando uma ave rara lá na copa das árvores, e
pode ser que aí more o perigo, ou melhor, a cobra,
e a bela e rara visão, poderá ser a última.
 
Mais uma importante razão para você não jogar lixo ou restos de alimento pelo chão.
Se você acampar muitos dias no mesmo local, e não for muito caprichoso,
os odores de sua comida poderão atrair interessantes bichinhos como quatis, graxains, etc.,
 mas também ratos, e onde o rato vai, as cobras tenderão a ir atrás.
Clique aqui para ver um exemplo
 
 Restos de alimento poderão ser dados à fauna local,
mas num ponto um pouco afastado do acampamento, e dos locais e trilhas de trânsitos.
 Lixo de rápida biodegradação poderá ser enterrado, mas em local distante,
e os demais, acomodados longe, para serem levados de volta à cidade.
 
Finalmente, mantenha sua barraca bem fechada o tempo todo,
e antes do dia escurecer, dê aquela revisadinha nos cobertores, etc.,
e no forro do fundo para ver se um graveto não fez algum preocupante furinho.
 
Aí está uma das grandes vantagens da rede de dormir.
 
.. e bons sonhos.
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 Algumas espécies perigosas
 
 Jararaca, Bothrops sp.
 
Coloração mesclada esverdeada e amarronzada,
com detalhes mais escuros, em formatos triangulares grandes e irregulares.
Vive na vegetação rasteira.
Tanto na mata densa, como nas capoeira, margens de lavouras e roçados.
Pode ser encontrada às margens de córregos.  Aprecia toma sol.
É bastante comum em certas regiões.
Possui corpo delgado, medindo até 100 cm, ou pouco mais.
Provoca muita dor e edema no local da picada.
Pode haver deficiência de coagulação sangüínea,
com hemorragia no local, gengivas ou outros ferimentos.
Acidente de médio risco de vida.
 
 
Cruzeira, Bothrops alternatus
 
 Coloração marrom escura, com detalhes em forma de telefone, ou ferraduras uma ao lado da outra,
 nas duas laterais do corpo.
Tem preferência por vegetação rasteira como campo aberto com muito sol e
alguns capins mais altos.  Aprecia tocas de tatu,
onde pode ser encontrada estendida nas proximidades ao sol,
ou enrodilha-se sob uma touceira próxima, à espera de sua presa.
 É mais robusta e pode chegar até 150 cm de comprimento.
Pode ser encontrada também, próximo à lagos, rios e vertentes d'água.
Os sintomas e conseqüências são semelhantes ao da jararaca.
 
 
Cascavel, Crotalus aff. terrificus
 
 Corpo bastante robusto, podendo chegar a 120 cm, ou mais.
Coloração com triângulos marrons irregulares e tons mais claros, chegando ao palha.
 Apresenta chocalho na ponta da cauda, que agita em advertência quando nervosa.
Tem especial predileção por regiões secas e pedregosas.
A picada provoca na vítima, visão turva e dupla, com pálpebras caídas, como sonolento.
De 6 a 12 horas, a urina pode se tornar escura.
É um acidente de alto risco de vida.
 
 
Coral verdadeira, Mucrurus frontalis
 
 Corpo longilíneo, e relativamente fino.
Apresenta anéis vermelhos, pretos e brancos ao redor do corpo,
e chega até 80 cm de comprimento.
Vive sob a folhagem do solo, em buracos, troncos caídos, galhadas caídas, etc.
Não apresenta-se agressiva, mas seu veneno causa visão turva e dupla,
com pálpebras caídas, como sonolento.
Dores musculares, aumento da salivação.  Pode haver insuficiência respiratória.
É um acidente de alto risco de vida.
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 Acidente com picada de cobra
 
A vítima deve ser socorrida com a máxima brevidade
aos cuidados médicos de pronto socorro,
para receber soro antiveneno.
É importante capturar a cobra para uma segura identificação,
e com isto, a utilização do soro específico.
 
Procedimentos como:
furar o local da picada para tentar sugar ou espremer o veneno,
apertar o membro com torniquete, etc.,
geralmente causam mais danos que benefícios,
sendo desaconselhado sua prática.
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