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Subprojeto:
 
Desenvolvimento de Ninhos Artificiais para o 
Papagaio-Charão, Amazona pretrei
em sua Região de Ocorrência
 
Período de Setembro de 1995 
à Janeiro de 1997
 
PatrocinadoresApoio
 
 
 
 
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Índice
 
I -Resumo das atividades
 
II - Desenvolvimento
 
     
 
III - Sugestões
 
IV - Agradecimentos
 
Patrocinadores
 
Topo
 
 
 
 
 
I - Resumo das Atividades
Apresentamos um compêndio das principais resultantes obtidas no período.
 
Os cinqüenta ninhos artificiais, modelo CEPEN / Helvino Iser,
foram construídos, distribuídos e instalados em cinco fazendas.
Já na primeira temporada, boa parte deles (50%), foi aceita pela fauna local,
o que intensificou-se ainda mais na segunda temporada reprodutiva (68%),
constituindo importantes resultados.
 
 
Sra. Ilse Iser (Viúva do Sr. Helvino Iser) e Marcelo De Negri Xavier
com um dos lotes de ninhos artificiais (modelo CEPEN / Helvino Iser)
 
Foram experimentados manejos de ninhos ocupados por insetos competidores como
abelhas, vespas e formigas e outros ainda predadores como o gambá.
 
A análise de alguns dados já nos permitem fazer considerações sobre os ninhos
e sobre os diversos ambientes acompanhados.
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 II - Desenvolvimento
 
A construção dos ninhos foi dirigida pelo Sr. Helvino Iser,
grande conhecedor de madeiras, e seguiu uma série de pré-requisitos como:
>=> ter uma tampa móvel para facilitar a observação do seu interior, fotos, etc., e causar nestas operações um mínimo impacto aos seus ocupantes;
>=> leves, para facilitar a instalação;
>=> resistentes às intempéries por diversos anos;
>=> ficar inserido de forma harmônica no conjunto de galhos grossos ao ser instalado em árvore sadia, resistente e de bom porte;
>=> de fácil construção;
>=> barato;
>=> constituído de matéria prima abundante;
 
Obs.: não se conseguiu atender plenamente o último item,
já que infelizmente as áreas com nossas nobres madeiras nativas estão se reduzindo
para ceder espaço a culturas atualmente mais rentáveis.
 
Os ninhos foram construídos com padronização máxima possível,
para que as únicas variantes ficassem por conta das medidas do próprio ninho e sua instalação.
Para tanto, utilizou-se  de uma mesma espécie de madeira para o corpo dos ninhos,
o cedro, Cedrela fissilis e uma mesma espécie de madeira para a tampa,
o pinheiro, Araucaria angustifolia.
 
 
Buscando modelos semelhantes aos ninhos naturais,
aproveitou-se galhadas de cedro colhidas no solo da mata,
ali deixados como refugo de aproveitamento da parte principal da árvore,
e refugos de tábuas de pinheiro em serraria.
 
Foram selecionadas cinco fazendas
que apresentavam importantes condições para uma boa condução dos trabalhos,
como a visitação dos papagaios no período reprodutivo, a segurança para os ninhos e
a elevada consciência conservacionista dos seus proprietários.
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 1. Descrição dos locais nas fazendas
1.1. Fazenda Branda
 
Esta fazenda possui um dos maiores resíduos florestais ainda preservados
da região de influência do referido dormitório.
Suas matas não tem presença de gado, a não ser em uma borda,
para abrigá-lo das intempéries.
 
Foi feito um trabalho de levantamento ornitofaunístico na área,
por ocasião do curso “A Ornitologia na Conservação das Aves Silvestres”,
promovido pelo CEMAVE - SUL / IBAMA em 1994,
que apontou a presença de 88 espécies.
 
O papagaio-charão é um visitante tradicional nestas matas para se alimentar,
e segundo antigos funcionários, haviam ninhos conhecidos e que não mais existem,
mas que “pelo tipo de movimento deles”, ainda reproduzem na área,
embora não saibam precisar o local.
 
 Nesta área, foram instalados o maior número de ninhos, 30% (N=15).
Divididos em dois locais: um deles, mais distante da sede,
numa orla onde há acesso ao gado bovino (N=12),
e o outro, logo abaixo da sede numa área sem presença de gado,
e portanto, com extrato inferior da mata mais fechado (N=3).
 
O Ninho n.º 46 é o ninho mais alto (16,5 m do solo),
e o único instalado em pinheiro, Araucaria angustifolia.
Na temporada de 1995/96,  teve nidificação de canário-da-terra, Sicalis flaveola,
e posteriormente na mesma temporada, foi ocupado por anambé, Tityra cayana,
cuja reprodução não foi confirmada.
Somente na temporada reprodutiva seguinte,
em 24/11/96 é que foi possível a confirmação de reprodução de anambé neste ninho,
provavelmente já pelo segundo ano.
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 1.2. Fazenda Leindecker
 
Situada numa das regiões de maior convergência e trânsito dos papagaios-charões
do dormitório do Parque Municipal.
Nesta fazenda foram instalados 24% (N=12) dos ninhos.
Freqüentam a sede da propriedade com grande constância,
para alimentarem-se num florestamento de eucaliptos,
e acácia-negra Acacia decurrens que a circunda.
 
Parecem não se importar muito com a movimentação de pessoas e máquinas agrícolas.
Ali foram instalados 4 ninhos, todos em árvores exóticas.
Outros 4 ninhos, foram instalados numa ilha de eucaliptos
duma antiga tapera cercada de lavoura.
Os 4 restantes, na margem de uma mata nativa situada no alto de uma coxilha,
e bordejada por lavoura e pastagem cultivada.
 
Ocorreu um grande aumento de ocupação por abelhas na fazenda Leindecker,
de zero para 4 ninhos.
Porém, um dos quatro ninhos, o de número 23, caiu durante um vendaval,
junto com o galho em que estava fixado, e as abelhas o abandonaram.
Após ser reinstalado no mesmo local em 04/10/96,
ainda que apresentasse grande odor de favos,
não mais foi ocupado até o final da temporada.
 
Houve um enxame de abelhas
que se instalou na árvore-suporte um metro abaixo do ninho 17,
visto em 05/10/96, configurando um desprezo ao ninho.
Este enxame permanecia no local na revisão de 03/11/96,
abandonando-o mais tarde conforme o observado em 24/11/96.
Também em 05/10/96, foi constatada presença de um enxame de abelhas no ninho 20,
deste mesmo capão de mato.  Este enxame permaneceu.
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  1.3. Fazenda Pacheco
 
A propriedade mais próxima e de mais fácil acesso.
Apesar disto, apresenta uma significativa coleção de matas bem preservadas,
em que o gado está sendo retirado para dar espaço à regeneração natural.
Em locais onde este manejo já foi implantado há alguns anos,
percebe-se claramente o benefício desta prática.
 
Obs.: no processo de regeneração de uma mata degradada,
ocorrem uma série de fases chamadas em ecologia vegetal de “sucessão”.
No início, devido à grande presença de luz,
há um rápido aumento de massa verde cobrindo o chão.
Na seqüência, o mato passa a ser ricamente incorporado pois vão surgindo arvoretas,
muitas delas de madeiras nobres.
Forma-se então um sub-bosque fechado e já mais escuro.
À medida que estas pequenas árvores vão ocupando extratos mais altos,
e impedindo mais ainda a entrada de luz até o chão,
uma vegetação arbustiva que requer pouca luz se instala, como samambaias, avencas, etc.
e a mata passa então à maturidade.
 
No decorrer deste tempo sucessório, a fauna associada também já é favorecida.
A mata poderá seguir madura, regenerando-se apenas pela abertura de novo espaço de luz,
quando as árvores velhas forem caindo ou as de porte comercial retiradas.
 
 A propriedade é palco de encontro de papagaios-charões no final da tarde,
quando se dirigem ao dormitório do Parque Municipal de Carazinho.
 
Na mata próxima da sede, teve-se a oportunidade de acompanhar sistematicamente,
por mais de oitenta horas, um ninho natural de papagaio-charão
durante o seu período reprodutivo de 1995.
 
Nesta mata foram instalados 8 ninhos artificiais,
e numa ilha de mata nativa cercada de pastagem,
foram instalados mais 4, totalizando 12 ninhos, ou 24% do total.
 
 Houve um aumento significativo de ocorrência de gambás, Didelphis sp.,
ou confirmação de gambá em alguma suspeita antes classificada como “indeterminada”.
Esta presença talvez explicável pelo alto grau de regeneração destas matas,
o que foi permitido pelo manejo de retirada do gado bovino de sua área.
Esta intervenção proporciona uma grande produção de biomassa nos primeiros anos
até haver novo equilíbrio, e com isto, uma grande oferta de alimento aos animais nativos
proporcionando aumento temporário de suas populações.
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 1.4. Fazenda Ribas
 
Mata próxima à sede, cercada de campo nativo, com presença constante de gado.
Atrai papagaios-charões sobretudo pela presença de alguns grandes e centenares pinheiros.
 Suspeita-se de ter havido reprodução de papagaios-charões em algum oco natural
na temporada de 96/97, mas não se pôde comprovar.
Ali estão instalados 18% (N=9) dos ninhos artificiais.
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 1.5. Chácara Ribas
 
Possui um reflorestamento de eucaliptos próximo à sede, e um atrativo pomar.
Situada em local estratégico em relação ao dormitório de papagaios-charões
do Parque Municipal de Carazinho, pois dista apenas duzentos metros
do reflorestamento em monocultura de araucária
onde as aves dormem durante a época reprodutiva.
Mais que isto, os papagaios-charões costumam freqüentar a mata de eucaliptos
antes de se recolher ao sono, para se servirem “ad libitum” do pomar que está logo ao lado,
para o que, contam com o apreço dos proprietários e dos funcionários.
 
Apesar do mato de eucaliptos não oferecer ambiente atrativo típico para ninho,
instalamos ali 4% (N=2) dos ninhos.
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 2. Comentários gerais
 
No conjunto, os cinqüenta ninhos tiveram um índice de ocupação crescente.
Isto já era esperado, pois foram instalados imediatamente antes
da primeira temporada reprodutiva,
e para a segunda temporada, já havia decorrido então um ano desde a instalação.
Possivelmente também refletido neste fato esteja a ocupação por formigas,
que somente se registrou na segunda temporada, ocupando 10% dos ninhos.
 
 Um aspecto que chama a atenção
é o grande aumento da ocupação por abelhas, Apis mellifera,
de 8% (N=4) para 26% (N=13).
 
Extrapolando esta observação para os ocos naturais,
é possível imaginar a grande pressão de competição que este inseto exótico (não nativo),
(de origem européia e africana), vem imprimindo sobre a fauna que ocupa cavidades naturais.
Obs.: as "nossas" abelhas comuns, estas que fazem mel, na verdade não são nossas.
Foram introduzidas no Brasil em dois momentos importantes:
em 1839 com a raça geográfica européia Apis mellifera mellifera
e em 1956 com a introdução da famosa abelha africana, Apis mellifera adansonii
para fins científicos, quando veio a escapar dos laboratórios e do controle,
se disseminando pelas três Américas.
Hoje, praticamente não existem mais abelhas de raças puras, mas sim ditas africanizadas,
já que os genes de agressividade das africanas prevalecem no cruzamento.
 
Quando um enxame de abelhas se aloja em um ninho, geralmente não sai mais.
Tivemos porém, dois casos em que elas abandonaram ninhos,
e um terceiro em que abandonaram uma fenda na árvore a um metro abaixo do ninho 17.
Um dos dois primeiros casos, no ninho de número 23,
foi porque com um vendaval caiu o galho em que ele estava fixado, e o outro, de número 40,
pareceu ter como causa o espaço interno muito pequeno (19 x 20 x 23 cm).
 
 O que parece apresentar uma competição compatível com nossos animais nativos,
é a vespa amarela conhecida popularmente como “chupa-charque”.
Ela também utiliza cavidades para alojar seu enxame,
mas sua incidência diminuiu de 6% no primeiro ano, para 2% no segundo ano.
Até ela parece sofrer pressão pelas abelhas, Apis mellifera,
pois um ninho antes habitado por vespas chupa-charque,
foi ocupado no segundo ano pelas abelhas.
 
 No segundo ano aumentou também o número de espécies,
o que pode se justificar simplesmente pela nova exposição dos ninhos à nossa variada fauna.
 
 Um hóspede freqüente 6% e 10% nos primeiro e segundo anos respectivamente
e talvez responsável por boa parte dos vestígios ditos “indeterminados”
é o gambá, Didelphis sp..
 Para o Estado do Rio Grande do Sul, são citadas duas espécies, aqui brevemente descritas:
ambos tem a camada inferior da pelagem com pêlos pretos; o focinho é longo e fino.
Apreciam refugiar-se em ocos escuros durante o dia e também para a sua reprodução.
Possuem hábito alimentar onívoro (come de tudo) e por certo causam grande prejuízo
aos ninhos de outros animais situados em ocos e nas árvores em geral.
Suas mãos e pés agarram semelhantemente aos dos macacos, e a cauda é preênsil,
o que confere a estes animais grande facilidade em subir e deslocar-se nas árvores.
 
Didelphis albiventris: como o próprio nome científico lembra, é o mais branco,
apresentando um aspecto grisalho sobre fundo preto.
É o mais comum no estado, vivendo em capoeiras, matas primárias e secundárias,
brejos, lavouras com presença de árvores nas imediações,
e convivem bem com o homem nas cidades e no campo.
Chegam por vezes, atacar galinheiros causando prejuízos, porém,
são bons caçadores de ratos, devorando ninhadas inteiras,
trazendo com isto, importante contribuição ao homem.
O aspecto visual que mais o caracteriza são as orelhas de cor branca ou rosada (cor da pele),
aspecto este, que ditou o seu nome comum, gambá-de-orelhas-brancas.
 
Didelphis marsupialis:  conhecido popularmente como gambá-de-orelhas-pretas,
é mais escuro que o anterior, e bem menos freqüente,
preferindo matas fechadas e altas de regiões mais úmidas.
Como o próprio nome comum diz, tem orelhas pretas bem características.
Pode ser encontrado na mesma mata freqüentada pelo anterior, porém
o Rio Grande do Sul é o limite sul de sua distribuição.
 
 Quando registrada visualmente a presença de um gambá,
sempre tratou-se de D. albiventris, porém não pode-se fazer disto regra,
posto que as duas espécies podem ocorrer na mesma área.
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3. Manejo de Ninhos
 
 A presença das diversas espécies de animais nos ninhos já estava prevista.
Foram novidades a presença de formigas pequenas como o ocorrido no ninho 34,
e a presença do anambé, Tityra cayana, como o ocorrido no ninho 46,
por ser bastante raro na região.
 
A presença das aves de diversas espécies nos ninhos
é de grande utilidade para o conhecimento científico.
Nos ninhos artificiais é fácil ver e fotografar seu interior,
e até manusear seus ocupantes, diferentemente de um oco natural.
Pode-se com isto, prestar grande contribuição ao estudo destas espécies,
dificilmente estudadas de outra forma.
 
Buscando tirar o máximo de proveito dos trabalhos para gerar conhecimento,
optou-se por acompanhar as aves hóspedes de modo a não perturbá-las
e retirar todos os insetos e os mamíferos comuns e já bem conhecidos.
 
Com o objetivo de desenvolver técnicas fáceis e eficientes
para a retirada dos animais não desejáveis para o fim proposto,
começou-se um trabalho de manejo com os insetos competidores (abelhas, formigas e vespas)
e com gambás que são competidores e predadores.
Procurou-se deixar também ninhos não manejados como testemunhas,
para servirem de parâmetro comparativo.
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3.1. Manejo de ninhos com abelhas
 
Ninho 40
29/10/95 com 3 ovos de arapaçu;
02/12/95 filhotes já ausentes;
06/10/96 apenas vestígios de cera de abelha;
03/11/96 3 ovos brancos de arapaçu;
24/11/96 3 filhotes prontos;
16/12/96 já vazio;
Pelos leves vestígios de cera, as abelhas provavelmente ocuparam por poucos dias.
Este abandono natural, como já dito acima,
deveu-se talvez ao pequeno espaço interno do ninho (19 x 20 x 32 cm).
Este ninho não chegou a ser propriamente manejado.
 
Ninho 42
25/10/95 já com abelhas;
02/12/95 a tampa do ninho foi aberta e assim deixada;
16/12/96 abelhas ainda permaneciam um ano depois;
 
Ninho 44
29/10/95  constatada presença de vespas chupa-charque;
02/12/95 foi aberta a tampa do ninho e assim deixada;
06/10/96 foi encontrado limpo, inclusive sem favos.  Foi então fechada.
03/11/96 já estava ocupado por abelhas, portanto, menos de um mês depois.
 
 Ficaram como testemunhas os ninhos 4, 5, 11, 20, 22, 26, 27, 36, 42,
ocupados por abelhas, e nenhum deles foi abandonado.
Também não o foram, aqueles manejados para este fim.
 
Nos ninhos em que as abelhas saíram, isto deu-se por livre vontade delas,
ou por razões naturais.
 No caso das vespas chupa-charque, o manejo parece ter surtido efeito,
como o do ninho 44 descrito acima;
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 3.2. Manejo de ninhos com formigas
 
Ninho 1
23/11/96 com formigão marrom.  Foi aberto e assim deixado;
14/12/96 ainda com formigão, e permaneceu aberto;
 
Ninho 10
16/10/95 ninho de canário-da-terra, Sicalis flaveola;
04/10/96 favos de abelhas sem abelhas, e com formigões ocupando.
Limpado dos favos e dos formigões, foi retirada a tampa, e assim deixado;
Provavelmente as abelhas foram expulsas pelos formigões, como é comum nos apiários.
03/11/96 com dois ovos de coruja;
24/11/96 encontrado vazio;  Talvez tenham sido predados, já que estava sem tampa.
Apesar da diferença de abertura ser só de três centímetros (8x9 para 11x9),
sem tampa o acesso fica em linha reta com a base interna do ninho;
16/12/96 vazio;
 
Ninho 16
04/10/96 apresenta favos nativos abandonados, tomados por formigões;
Foi limpado e deixado com a tampa aberta;
03/11/96 havia um enxame de abelhas instalado, e a tampa permaneceu aberta;
16/12/96 ainda com abelhas;
 
Ninho 34
28/10/95 dois ovos de arapaçu no ninho forrado com cascas de árvore;
01/01/96 ninho forrado com cascas de árvore já vazio;
03/10/96 ainda com o forro de cascas de árvore da temporada passada;
02/11/96 substrato parecido com terra de formigueiro encobrindo o ninho antigo;
23/11/96 é de fato um ninho de formigas pequenas.  Foi deixado aberto;
14/12/96 foi fechado;
 
Ninho 47
29/10/95 com arapaçu dentro;
02/12/95 já está vazio;
06/10/96 com formigões dentro.   Abriu-se e deixou-se aberto;
03/11/96 fechou-se.   Estava limpo, mas viu-se as formigas sob a casca do ninho;
24/11/96 vazio;
16/12/96 vazio;
As espécies de formigas que até agora ocuparam os ninhos,
são de fácil manejo para a sua retirada.
Tendem a abandonar o local exposto à chuva direta,
e parecem preferir ambiente escuro.
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 3.3. Manejo de ninhos com vespas
 
Ninho 6
15/10/95 vazio;
16/11/95 com vespas chupa-charque. Foi aberto e assim deixado;
08/10/96 já estava abandonado.  Foram tirados os favos e fechado o ninho;
02/11/96 vazio;
 
Ninho 8
15/10/95 três ovos brancos;
02/10/95 cinco ovos brancos;
08/10/96 com vespas chupa-charque;
02/11/96 ainda com vespas chupa-charque;
23/11/96 idem;
14/12/96 idem;
Este ninho é um testemunha, pois não foi manejado.
Observa-se que as vespas permaneceram no local.
 
Ninho 44
Já foi descrito acima, onde após manejo, sucedeu à saída das vespas chupa-charque,
a entrada de abelhas.
 
Ninho 45
25/10/95 com vespas chupa-charque;
02/12/95 ainda com vespas chupa-charque;
06/10/96 as vespas chupa-charque abandonaram naturalmente.
Estava repleto de favos, e foi limpado.
03/11/96 vazio;
24/11/96 vazio;
16/12/96 vazio;
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 3.4. Manejo de ninhos com gambás
 
Ninho 2
15/10/95 com três cm de folhas secas dentro, e alguns pêlos na abertura;
28/11/95 idem anterior;
07/10/96 com jovem gambá-de-orelhas-brancas.  Foi aberto e deixado assim;
02/11/96 vazio.  Foi fechado;
23/11/96 vazio;
14/12/96 vazio;
 
Ninho 3
07/10/96 vazio, porém com folhas parecendo ninho de gambá.
Abertura um pouco trilhada de barro;
02/11/96 idem anterior;
23/11/96 com gambá e filhotes.  Foi aberto e assim deixado;
14/12/96 estava vazio e foi fechado;
 
Interessante neste ninho é a pequena abertura (boca de 7 x 8 cm),
pela qual transitam mãe e filhotes,
talvez desde os tempos em que estes estavam na bolsa (marsúpio).
 
Fato este, que comprova a grande capacidade destes mamíferos
em introduzir-se por pequenas fendas,
e que se poderia dizer que um estreitamento máximo para um papagaio-charão
não seria limitante para esta espécie de predador.
 
Ninho 15
07/10/96 com gambá-de-orelhas-brancas.  Foi aberto e assim deixado;
02/11/96 encontrado vazio e fechado a tampa;
23/11/96 vazio;
14/12/96 vazio;
 
Ninho 21
02/11/95 com três ovos de coruja, provavelmente Othus choliba;
06/10/96 com gambá-de-orelhas-brancas.   Foi deixado aberto;
03/11/96 foi encontrado vazio e fechado a tampa;
24/11/96 vazio;
 
Ninho 33
28/10/95 vazio;
01/01/95 vazio;
03/10/96 encontrado gambá-de-orelhas-brancas;
02/11/96 vazio e com teias de aranhas dentro;
23/11/96 vazio;
14/12/96 com três ovos de arapaçu;
 
Este caso serve como testemunha, pois não foi manejado.
É ainda um caso interessante pois foi abandonado espontaneamente pelo gambá;
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 III - Sugestões
 
 Sugere-se que seja feito um manejo das matas às quais o gado tem acesso,
à semelhança do desenvolvido na fazenda Pacheco,
onde a mata está se recompondo.
 
Com o impedimento de acesso ao gado, pelo menos por alguns anos,
é possível a regeneração natural das áreas florestadas,
pois as árvores que estão germinando do solo poderão crescer
e livrar-se do pisoteio e da boca do gado.
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IV - Agradecimentos
 
 Um agradecimento especial à Lenheira Iser,
nas pessoas do Sr. Helvino Iser
pela genialidade criativa e tempo dedicados à idealização
dos modelos de ninho por nós utilizados, e aos seus funcionários.
Ao seu filho Osmar Iser que tornou factível a construção dos ninhos
desde a retirada dos troncos do mato até o aprontamento final.
À Sra. Ilse Iser pela atenção, e pelo chá das tardes.
 
 Agradecemos às empresas Madeireira Bolzani
pelo apoio e corte dos pedaços de troncos
e Madeireira Herter pelo apoio recebido e pelas madeiras cedidas.
 
 Somos gratos ao Departamento de Recursos Naturais Renováveis
da Secretaria da Agricultura e Abastecimento - SAA
do Governo do Estado do Rio Grande do Sul,
na pessoa do Eng. Agr. Jorge Alberto Baltar
pelo apoio à pesquisa e aos trabalhos de preservação ambiental.
 
 Agradecemos aos Srs. Ivori Pacheco, João Leindecker, Nilo Branda, Terezinha Ribas,
proprietários e responsáveis pelas fazendas onde estão instalados os ninhos,
e a todos seus familiares e funcionários, pelo grande apoio e colaboração.
 
Somos especialmente gratos ao Sr. Nilo Branda e Sra. Gessi,
que prontificaram-se em ceder galhos grossos de cedro,
aproveitados do chão de suas matas, para a construção dos ninhos e aos seus filhos,
com especial destaque para o Eliseu e o André,
sempre prontos à colaborar de alguma forma.
 
 Agradecemos à Indianara N. Ribas
pelo estímulo, desmedido apoio e grande colaboração
a todas as atividades desenvolvidas.
 
À Mirta Bohn pelo apoio e colaboração.
 
Ao Rogério Pacheco pela grande colaboração, o constante apoio
e pelas ações por vezes arriscadas nas copas das árvores.
 
Ao Luiz Boaventura por sua presteza em colaborar.
 
Somos gratos ao CCAA na pessoa de Liliane Granville,
pelo crédito, patrocínio e grande apoio em todas as atividades.
 
À Loja Chiquita Bacana, na pessoa da Sra. Dalva De Negri Xavier,
pelo sempre presente apoio e incentivo.
 
Nosso muito obrigado a todos aqueles que
mesmo anonimamente contribuíram
para que este projeto saísse do papel para cima das árvores e de volta ao papel.
 
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