Coluna
Na Ponta da Pena
por Marcelo De Negri Xavier - CEPEN
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O Ouro do Rio da Várzea
As atividades de pesquisa na bacia do Rio Uruguai,
estão apresentando interessantes resultados,
como o ocorrido no Rio da Várzea.
À qualquer garimpeiro, não basta apenas esforço e dedicação,
é necessário também um pouco de sorte.
Desta vez, não foi diferente.
Embora alguns acreditassem na possibilidade
de ver “a cor do ouro” naquele ponto do rio,
as chances eram remotas.
A região estava empobrecida,
e já havia uns vinte anos que não se tinha notícia de fato semelhante.
Aquele dia amanheceu muito frio para um início de outono
(são os efeitos do El Niño, comentou-se),
mas o sol desde cedo luzia intensamente.
Por volta das 16:30 horas, sob o forte calor do sol,
a brilhante cor do ouro apareceu nas águas do Rio da Várzea.
Era a confirmação das mais otimistas expectativas
daquela equipe de garimpeiros da Ciência.
O grupo esqueceu-se do cansaço e juntou-se em vivas festejando o achado.
Sabiam a importância do acontecido.
Era o primeiro indício confirmando que a riqueza ainda estava lá.
Para nós, envolvidos nesta atividade de pesquisa e preservação ambiental,
confirmar a presença no ponto 3 do famoso dourado,
Salminus maxillosus
, lindo peixe cor de ouro,
altamente esportivo (brigador) e de excelente carne (de grande interesse econômico),
era fundamental como ferramenta de campanhas;
bandeira para tremular em muitos ventos e possíveis tempestades
em defesa do rio.
Para as comunidades, este fato acena para um caminho que,
se bem trilhado nos aspectos ambientais e políticos,
poderá trazer bom incremento à economia da região,
principalmente porque este “ouro”,
diferente do mineral, é recurso natural renovável.
Necessitamos pois,
reservar seu ambiente para aumentar os estoques naturais,
e dele, sapientemente extrairmos lucros.
Preservemos, portanto, nossa galinha dos ovos de ouro,
ou melhor, nosso dourado peixe que vale bem mais que ouro.