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do Trinca-Ferro
S. M. Trinca-Ferro*
 
 
 
 
 
Artigos assinados são 
de inteira responsabilidade do colunista,
não representando necessariamente 
a opinião do CEPEN.
 
 
 
 
 
> O manto negro cobre o Rio Iguaçu, e também a estatal 
> As Cataratas de Óleo 
> Recebido dum leitor anônimo: ">>> Assunto: ISSO É BRASIL . . ."
> Em curtas palavras... (Sobre Transgênicos)
> Chegou a vez da Amazônia sumir
 
 
 
*S. M. Trinca-Ferro é pseudônimo de Marcelo De Negri Xavier para assuntos mais polêmicos ou de indignação.
 
 
 
 
 
 
O manto negro cobre o Rio Iguaçu,
e também a estatal
 
 Será este, o manto que sepultará esta estatal?
Como é que pode, uma empresa como a Petrobras, cometer um descuido deste tamanho.
E já não é pela primeira vez.
 
Cadê o exemplo desta estatal,
que vangloria-se em patrocinar projetos de preservação ambiental?
Com uma mão faz um carinho e com a outra dá uma paulada.
 
Será que ela está pedindo para ser privatizada?
Se é este seu desejo, logo conseguirá seu intento.
 
Pelo menos então, se poderá fazer arder estas multas no bolso de alguém,
afastar de vez estes incompetentes e, sem maiores pudores,
responsabilizar criminalmente bandidos assim.
 
Quantas décadas serão necessárias para a recomposição dos ecossistemas afetados?
Ninguém sabe, e logo após recolhido o grosso do óleo, a mídia se cansará do assunto,
mas os resíduos deste mal permanecerão matando e contaminando o ambiente indefinidamente.
 
Basta Petrobras!  Você já foi notada, e infelizmente, não pelo seu melhor lado.
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As Cataratas de Óleo
 
Que bela imagem cultivamos lá fora!  O que é o Brasil para o mundo?
Já temos uma imagem problemática por causa da pobreza de boa parte de nossa população,
da criminalidade, corrupção, etc.
Agora de novo esta, da Petrobras.
 
Retornamos com grande intensidade às manchetes internacionais,
por estarmos destruindo do que temos de mais rico e belo,
nossos mananciais de água doce.
 
A terrível falha da Petrobras foi agora na bacia do Rio Iguaçu.
O mesmo rio que mais abaixo, forma as mais belas cataratas do Planeta.
Na próxima, talvez a Petrobras produza cataratas de óleo, afogando em negro caldo
nossa fantástica natureza e o ainda germinante Ecoturismo sul-americano.
Um momento em que até a empobrecida Rússia anuncia fechamento de usina nuclear,
o Brasil ainda cultiva incompetentes estatais.
O governo precisa governar.  Este é seu papel.
 
Furar poços, refinar e distribuir produtos de petróleo,
as pessoas comuns organizadas em empresas deverão fazê-lo também no Brasil,
de modo competitivo e responsável,
e francamente punidas se desrespeitarem as normas do governo.
Aí sim se encaixa a nobre função ordenadora do governo.
 
Muitos talentos humanos estão desperdiçados nas pesadas estatais em funções comuns,
quando poderiam estar concebendo melhorias em governabilidade
pondo óleo sim,
mas nas emperradas engrenagens econômicas da população livre em iniciativa.
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 Recebido dum leitor anônimo:
 
">>> Assunto: ISSO É BRASIL . . .
> >>
> >>
José Zeferino da Silva, o Zeca dos Passarinhos.
Brasileiro, casado, desempregado.
Detido por fiscais do Ibama, espancado e engaiolado por tentar
vender um casal de pardais na feira de Duque de Caxias.
 
Crime contra a natureza, inafiançável.
Foi visto numa cela infecta e promíscua de delegacia, comendo o pão que o diabo amassou.
 
José da Silva, descascador de árvore.
Brasileiro, casado, desempregado.
Detido pela polícia e engaiolado por descascar árvores para fazer chá.
Crime contra a natureza, inafiançável.
Foi visto numa cela infecta e promíscua de delegacia, comendo o pão que o diabo  amassou.
 
 Henri Philippe Reichstul. De origem estrangeira, Presidente da  PETROBRÁS.
 Responsável pelo derramamento de 1,29 milhão de litros de petróleo da
 Refinaria de Duque de Caxias que poluíram a Baía de Guanabara/RJ em  18/01/00;
pelo rompimento da vedação de uma monobóia,
que espalhou 18  mil  litros de óleo perto da praia de Tramandaí/RS, em 11/03/00;
e mais recentemente,
o vazamento de mais de 4 milhões de litros da
Refinaria  Getúlio Vargas, em Araucária/PR,
manchando em mais de 20 Km os rios  Barigüi e Iguaçu,
matando milhares de peixes e pássaros marinhos.
 
Crime contra a natureza, inafiançável. Encontra-se em liberdade.
Foi visto jantando num restaurante do Rio.
 
Não concordar já é um bom começo..."
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 Em curtas palavras... (Sobre Transgênicos)
 
 As coisas do mundo podem ser utilizadas para o bem ou para o mal.
Pode-se matar a pedradas, ou constituir lares com estas pedras.
 
A descoberta de novas possibilidades de manejo das coisas
é uma constante do mundo vivo,
e vem de muito antes dos humanos.
Animais constroem seus ninhos com certos materiais
que vão descobrindo nas suas andanças,
abelhas melhoram habitação de cavidades com própolis
feita à base de resina vegetal que encontram nos arredores, etc.
 
A descoberta do fogo deve ter revolucionado a pré-história.
Com ele, se pôde assar a carne e sem querer, acabar matando seus parasitas,
ou atacar inimigos...
mais tarde, forjar pontas de lanças, espadas, mísseis, remédios, etc.
 
Uma descoberta científica, depois de publicada, cai em domínio público,
e não pode mais ser desapreendida ou “despublicada”.
Incendiar “bibliotecas” hoje em dia, não é mais tão fácil,
e se o fosse, a coisa seria redescoberta em pouquíssimo tempo.
 
A ciência é como o tempo, somente anda para frente.
 
Então, transgenia é um fato histórico acontecido.
Uma possibilidade que nos assiste,
e tal como um tempero em uma comida, que por si só não é bom ou ruim,
depende do tipo, proporções, do gosto do freguês, etc.
 Veneno para ratos e baratas é uma comidinha “temperada”.
 
Transgênico é sinônimo de mistura de genes,
que também por si só, não pode ser bom ou ruim,
sem que se saiba o que as pesquisas apresentam como resultado das tais misturas.
 
Nossos descendentes acharão inacreditável
aquela época em que tínhamos que colocar açúcar em um abacate;
época em que os morangos não tinham o tamanho da abóbora;
época em que a fração protéica da soja
não tinha todos os aminoácidos essenciais em proporções adequadas à finalidade, etc.
 
O admirado neto perguntará à vovó:
---...E este remédio não vinha neste alimento?
--- É, não vinha, --- responderá a avó, também admirada,
--- e possivelmente complementará:
--- nem tinha melancia com sabor de maçã, nem de pêra.
 
Por outro lado,
poderão ser criadas variedades terríveis de doenças para a guerra...
que eventualmente poderão cair nas mãos de terroristas...
Algumas doenças poderão escapar ao controle, com conseqüências incalculáveis...
Antídotos valerão igualmente muito poder...
 
Em resumo:
segurança em qualquer nova descoberta, como qualquer novo remédio,
depende de pesquisas,
de vigilância dos órgãos competentes
e de responsabilização pelos possíveis danos,
exatamente como hoje ocorrem em acidentes com lotes de remédios,
derramamento de petróleo, vazamentos de radiação, etc.
 
...E nas decisões,
existirão como sempre,
muitos interesses permeados por dinheiro, política, inveja, etc.
 
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 Chegou a vez da Amazônia sumir
 
 
O ministro da agricultura estufa o peito e promete aos quatro ventos,
como sua grande meta de gestão,
estimular a expansão da fronteira agrícola
em mais 20.000.000 (vinte milhões) de hectares em quatro anos.
 
Ora, do outro lado da fronteira agrícola está a natureza, ou seja,
pode-se ler que, durante o mandato do atual Presidente da República,
a meta agrícola não é estimular a produtividade
(aumento da produção na mesma área, com emprego de mais tecnologia)
e sim o avanço brutal sobre 20.000.000 de hectares de natureza original.
 
Quando se fala em natureza no Brasil, fala-se no que ainda resta de natureza.
Fala-se, portanto, em Amazônia.
A floresta amazônica não é somente o que resta,
mas é o ambiente mais rico do mundo em biodiversidade e ainda,
a maior reserva do planeta em fármacos naturais, em água doce corrente,
em espécies de peixes para a mais pródiga piscicultura, etc.
 
 O fim da natureza está acontecendo impressionantemente rápido.
Levou-se alguns séculos para se destruir a Mata Atlântica, à machado, à junta de boi, e à escravos.
As araucárias que cobriam boa parte dos três estados do Sul do Brasil
foram derrubadas não em séculos, mas em poucas décadas,
com machado e serrote de mão, o chamado traçador,
pois não haviam motosserras.
 
Em menos de meio século de existência,
eu já assisti a derrubada das matas que restaram da extração da araucária no sul do Brasil,
para abrir espaço à soja, trigo e pastagens.
 Assisti também o avanço para cima do cerrado, quando as matas do sul se terminaram.
 
 No cerrado a coisa conseguiu ser ainda pior que no sul.
As terras eram muito baratas, não havia estradas, pontes, eletricidade, lei, nem socorro para nada.
As propriedades precisavam valer a pena, ou seja, serem muito grandes.
Em conseqüência, o pioneirismo era coisa para gente estruturada.
 
Os pioneiros que foram para o cerrado conheceram uma fantástica região.
Era a savana brasileira.
Com vegetação muito variada, rios de águas cristalinas e cheias de peixes, capivaras, lontras;
e matas com onças, antas, veados, tamanduás, lobos, tatus; e
uma infinidade de espécies de aves como araras, papagaios, tucanos,
pássaros, perdizes, gaviões, pombas, etc.
 
A reserva legal (de natureza) que as propriedades devem manter intocada,
até hoje não é respeitada nem fiscalizada.
Ou seja, já que lá era território sem lei,
pouquíssimos proprietários deixaram aquela fração da propriedade
com a cobertura original do solo, como prevê a legislação.
As poucas áreas de vegetação nativa que restaram,
são comumente utilizadas para pastejo,
onde o gado come seletivamente, pisoteia a vegetação e compacta o solo.
 
Hoje, quem for conhecer essa região outrora rica em biodiversidade,
vai se deparar com um mar de monotonia.
Em muitos quilômetros poderá não encontrar nem mesmo uma pequena árvore.
 
Nos meses de seca,
de abril a setembro, a paisagem é ainda mais desoladora,
pois a secura do ar e da terra é impressionante.
Nesta época, na grande maioria das terras, não há agricultura,
e as áreas de pastagens ficam torradas.
Outrora, o clima era bem mais agradável pela presença da vegetação original,
que resistia à seca com suas raízes profundas, fazia sombra e umedecia o ar.
 
Nos meses de chuva,
este "mar" tórrido se transforma em mar de monoculturas como soja, milho, algodão, entre outras.
Em áreas enormes, não existe nem mesmo um ramo de capim para um passarinho pousar.
É um deserto mesmo, onde as monoculturas fazem jus ao nome.
 
Esgotadas as áreas de cerrado, a agricultura rumou para o norte,
no rastro do avanço do gado.
Lá, juntou-se à mineração que já envenenava as artérias do ambiente, os rios,
e prosseguiu comendo pelas beiradas a exuberante floresta amazônica.
 
Nessa floresta, a natureza levou milhões de anos para tecer suas inter-relações de equilíbrio,
e hoje, é o que resta de mais rico em diversidade de vida no Planeta.
 
Agora, com o incremento prometido aos incentivos governamentais,
lá vamos “nós” para cima da Amazônia,
e desta vez, com mais força ainda, mais tecnologia e recursos.
 
...Deste jeito, parece lógico temermos uma intervenção estrangeira na Amazônia.
 
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