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Campanha
 
Queimar a vegetação 
é pobreza em expansão
 
Utilizar fogo como manejo ambiental, 
além de poluir,
empobrece a fertilidade do solo, 
a biodiversidade 
e a própria vida.
 
Prólogo
Introdução
O triste atalho
Efeito estufa
Outros fatores envolvidos
- Obstáculo aéreo 
- Poluição 
- Economia 
- Não bastasse isto tudo, ...
A queimada de campo
Duração desta Campanha
 
 
 
 
Prólogo
 
Nesta campanha, o CEPEN pretende abordar
a questão da utilização do fogo como prática de manejo ambiental,
mostrando alguns aspectos que a caracterizam,
em linguagem e elementos correntes no universo do homem rural sul-americano,
e das pessoas que com ele tem contato.
 
Pretende-se apresentar alternativas mais lucrativas de manejo agropecuário,
pois acredita-se que esta é a abordagem mais poderosas, e obviamente mais convincente,
para este segmento da população acostumado à combater pragas de insetos e
ervas daninhas, que a natureza "insiste" em lançar sobre suas culturas.
 
 Está direcionada basicamente ao homem rural,
mas apresenta elementos plenamente aplicáveis ao ambiente urbano,
seus campos, matas, chácaras, jardins, quintais e demais áreas afins,
e aí assume também grande importância, não pela extensão da ação,
mas pelo contingente populacional implicado nas suas conseqüências.
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Introdução
 
O funcionamento da vida na terra pode ser descrita resumidamente
nas seguintes palavras:
 
A energia que sustém a vida neste planeta, vem do sol.
 
É captada pelos vegetais através da fotossíntese,
que consome gás carbônico e libera como resíduo, o oxigênio.
Neste processo, acumulam energia.
 
Os animais, fazem a operação ao contrário,
obtém energia consumindo outros animais ou diretamente os vegetais.
Utilizam o oxigênio para "queimarem" as substâncias ingeridas e com isto obterem energia.
Liberam o gás carbônico que sobra da "combustão",
e o seu respectivo calor para o espaço.
 
A opulência da vida é tanto maior quanto mais bem aproveitada a energia.
Estão ai implicadas a sua captação e transferência.
Administrando estes simples mas vitais fatores,
estaremos administrando a essência que conduz à fartura ou à miséria.
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O triste atalho
 
Ateando fogo na vegetação, atalha-se o fluxo da energia da vida já na sua base.
Libera-se a energia para o espaço,
sem que esta passe pelas demais escalas que alimentariam a vida.
 
Em outras palavras:
estamos atalhando o caminho da energia, que vem do sol aos vegetais,
e deste volta direto para o espaço sideral,
sem passar pelos animais,
não passando portanto pela cadeia alimentar.
 
Nem mesmo os microorganismos do solo
tem chance de nutrir-se dos restos vegetais,
pois da queima sobram as cinzas (minerais), que não têm mais energia,
e boa parte dos próprios organismos são calcinados pelo calor das chamas.
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Efeito estufa
 
A maior concentração de gás carbônico na atmosfera
reduz a dissipação de calor para o espaço,
produzindo um aumento da temperatura do ar e todos os fenômenos implicados.
Veja mais sobre a umidade relativa do ar e as chuvas
Há uma diminuição da umidade relativa do ar, e um aumento da evaporação das águas.
 
A dinâmica atmosférica é afetada, influindo nos seus fenômenos.
É de se esperar que haja uma intensificação dos fenômenos meteorológicos,
com mais chuvas, mais secas, mais ventos, mais raios, mais calor, mais frio, etc.
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Outros fatores envolvidos
 
Obstáculo aéreo
A chamada névoa seca, que tanto prejudicam a aeronáutica, não tem nada de natural,
é a fumaça das queimadas que os agropecuaristas produzem em certas épocas do ano
em que o capim e a mata estão mais secos.
 
Parte das queimadas são resultado de fogo ateado propositadamente
à parques nacionais e outras reservas naturais,
como sinal de protesto ou por interesse político pelas áreas.
 
 Algumas queimadas podem ser produzidas por raios,
mas sua freqüência é baixíssima, até porque estão associados à chuva.
Mais comum é que à eles sejam atribuídas culpas pelo descuido com pontas de cigarro
e eventualmente, até fogueiras de acampamentos de pescadores.
 
Poluição, (saúde, cheiro)
O aumento da poluição nas épocas de queimadas é mais uma fonte de prejuízo,
desta vez diretamente relacionado à saúde.
São afetadas principalmente as crianças,
que já vem sofrendo pela baixa umidade do ar nestas épocas do ano.
Há ainda o desagradável cheiro que prejudica à todos.
 
Economia (agropecuária, turismo, saúde)
Diante deste quadro de prejuízos, não é difícil imaginar o custo que se tem
com suplemento de fertilizantes na agricultura,
com a falta de umidade, ou excesso de chuvas, com o sistema de saúde, etc.,
e até com o turismo, que carece de ambiente belo e sadio.
 
Não bastasse isto tudo,
há o prejuízo direto à natureza.  É algo difícil de se quantificar os trilhões de animais
(aves, mamíferos, répteis, insetos, etc. e até peixes intoxicados pelas cinzas carreadas pelo vento e pela chuva) que morrem anualmente pela prática da queimada, direta ou indiretamente.
 
Veja na foto abaixo,
um filhote de veado-campeiro, Ozotocerus bezoarticus
abrigando-se no nada, sob suas próprias patas dianteiras, num campo queimado,
onde deveria existir um capim de até 2 metros de altura.
 
 
Local: Pantanal da Nhecolândia - MS - Brasil
Foto: arquivo CEPEN / 380p / M. D. N. Xavier
 
Veja seqüência abaixo.
 
 
Local: Pantanal da Nhecolândia - MS - Brasil
Foto: arquivo CEPEN / 381p / M. D. N. Xavier
 
"Quando eu estava à menos de dois metros, com a câmera, é que este filhote resolveu levantar-se e correr.
Qualquer predador poderia tê-lo abatido,
já que o capim que lhe deveria proteger, fora queimado.
Sua programação instintiva manda que fique deitado quieto em meio ao capim,
para proteger-se dos predadores.
Sem capim, sua defesa (de imóvel camuflagem) fica grandemente prejudicada".
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A queimada de campo
 
Os meses de seca no Centro-oeste e a geada no sul do Brasil,
ressecam a pastagem e são um convite à ação do tradicional pecuarista incendiário.
O fogo estimula e antecipa a brotação da pastagem,
mas tem um custo terrível para a própria pastagem.
 
Ocorre que o fogo não age homogeneamente sobre o campo.
A pastagem natural é um composto variado de espécies,
e a ação do fogo ano após ano, elimina as mais tenras e nutritivas,
restando um predomínio das mais grosseiras e entouceiradas.
 
Há ainda as perdas de fertilidade do solo, por empobrecer a matéria orgânica presente,
e conseqüentemente, a vida microbiana do solo.
Justamente a responsável pela reciclagem e disposição de nutrientes para as plantas.
 
A vida micro e macrobiana do solo é grandemente responsável pela sua textura e estrutura,
fatores fundamentais para a manutenção da umidade do solo,
sua permeabilidade aos nutrientes, à água, ao ar e as raízes,
e como resultado final,
a sua produtividade primária.
 
 
 
 
Duração desta campanha
 
Lançada no Espaço Cultural CEPEN, em 29 de julho de 2000,
esta campanha se estenderá por prazo indeterminado,
até que modernas técnicas de manejo ambiental urbano e rural,
estejam disseminadas e francamente utilizadas pela população ativa,
e postas de lado técnicas arcaicas de caráter incendiário,
tão danosas ao ambiente e a qualidade de vida de todos.
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