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Bonsais
 Introdução
 
Generalidades
_________
 
 
Elementos Ecossistêmicos
 
Água
Substrato
Luz
Vento
Poda
Temperatura
Adubação
Estruturação
 
 
 
Introdução
 Arte, ciência, paz de espírito, amor à natureza, passa-tempo, antiestresse, ...
ou simplesmente apreciar a beleza de uma grande árvore em miniatura.
São muitas as razões que poderiam nos aproximar dos bonsais.
 
Tratar de um ser vivo com longevidade bem maior que a nossa,
é uma experiência que pode nos fazer pensar no curto tempo que temos para viver.
Que devemos perceber e saborear minuto a minuto, a passagem de nosso tempo,
e refletir sobre o que vamos deixar em contribuição para este mundo, na nossa passagem.
 
Um livro, uma idéia, uma frase, um invento, uma boa ação, um sorriso, um emprego, etc.
ou talvez bem vividos, vinte livros, mil idéias, cinqüenta frases, inúmeras boas ações,
muitos sorrisos, milhares de empregos, um exemplo aos irmãos viventes,
e a lembrança de sua imagem com um suave e sereno sorriso, partindo...
 
Particularidades de sonhos à parte,
manter tratos culturais com freqüência quase diária por longos anos,
cria importante vínculo, e produz uma interação entre os elementos, planta e Homem.
 
Há influência recíproca.  O Homem sugere e induz a aparência dos genes da planta,
e esta induz hormônios, pensamentos e ações naquele.
 
Por menos que se queira,
há uma aura, um espaço para o livre espírito humano nesta relação.
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Generalidades
    Um bonsai, pela delicada condição de pouca terra que possui, necessita
de cuidados especiais, e estes, são um retrato da experiência do passado, dedicação do presente e visão do futuro, influenciados pela sensibilidade de quem os cuida.
 
Para cultivar estas arvorezinhas,
é necessário um pouco de conhecimento de ambiente (luz, solo, temperatura),
sensibilidade (permeabilidade intelectual) às particularidades biológicas,
persistência e algum tempo diário.
 
Um conceito mais resumido que se poderia traça sobre um ser vivo,
seria mais ou menos assim:
Todo ser vivo é resultado da interação dos seus genes com o meio ambiente,
que resulta no seu genótipoÉ como os genes aparecem ao mundo e aos nossos cinco sentidos., que é aquilo que podemos presenciar.
 
Para um bonsai, nós, seres humanos, fazemos parte do seu meio ambiente,
e o influenciamos profundamente,
juntamente com uma variedade de outros fatores ambientais.
 
Para uma boa condução do cultivo, 
  importante mesmo é gostar da coisa, 
que o resto vem naturalmente.
 
Existem uma infinidade de espécies de árvores, cada qual com suas características,
reações e "comportamentos" à um mesmo manejo.
 
Mais do que simplesmente cultivar,
interessante seria conhecer um pouco da história da espécie/variedade.
 
De onde é originária?
Como é o clima, solo, topografia, etc., da sua região de origem?
É uma espécie ameaçada de extinção?
Quais outras espécies de sua família?
A que altura e espessura pode chegar, na natureza?
Como é, e para que é normalmente utilizada sua madeira?
Produz frutos interessantes, saborosos, etc.?
Em sua região de origem, quais inter-relações que apresenta com animais e plantas?
Seus genes foram alterados ou foram colhidos assim na natureza?
Etc.
 
... com o tempo e alguma curiosidade, é que nos tornamos bons conhecedores
daquelas espécies e variedades que cultivamos.
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Água do solo
A planta absorve nutrientes que estão dissolvidos na chamada "solução do solo".
Esta classificação de água (a solução do solo),
refere-se àquela comumente pressente no solo úmido,
quando a planta está normal.
 
Verificamos sua ausência,
quando a planta atinge o que chamamos de "ponto de murchamento",
ou simplesmente "ponto de murcha".
Ou seja:
Quando a planta começa a murchar, 
é porque o solo já estava em ponto de murcha antes. 
 
Isto não quer dizer que não haja água no solo, e sim,
que não tem disponibilidade suficiente para aquela espécie de planta repor suas perdas.
 
Logo, num mesmo solo, uma espécie de planta pode acusar o ponto de murcha antes de outra.
Em outras palavras:
para cada espécie, existe um ponto de murcha do solo.
 
Na prática, significa dizer que:
não existe uma umidade de solo padrão para todas as espécies,
e que esta variação pode ser bem grande,
dado à grande diversidade de ambientes naturais em que vivem árvores
(desde banhados, charcos, etc. constantemente inundados,
até terras esturricadas que passam longos meses sem chuva).
 
Uma planta em ponto de murcha, não está somente passando sede, mas também "fome",
já que não tem água suficiente no solo para dissolver seus nutrientes,
e com isto, torná-los acessíveis à planta.
 
 Manejo da água do solo
 
Em regra geral, não deve faltar água no solo, mas também não deve sobrar.
A água que passa pelo solo dissolve nutrientes,
e carrega parte deles para camadas mais profundas.
Se sair pelo furo do vaso, lá se vão junto nutrientes do solo (o "alimento" da planta).
 Obs.: mesmo se a água sair cristalina, lá estarão muitos nutrientes.
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Substrato (solo)
Existe uma grande variedade de combinações de componentes do solo
(areia, silte, argila, etc.) que normalmente estão misturados no ambiente natural.
Cada espécie apresenta suas preferências para uma excelência, de desenvolvimento, mas também poderão se desenvolver, claro que mais modestamente, em solos menos específicos.
 
Para bonsais, até são interessantes certas restrições ou adequações nutricionais,
como ferramenta de manejo (como um "freio de desenvolvimento").
 
 Caso você não conheça muito sobre solo, experimente algumas variações.
 
 
Experimento
Você pode fazer um pequeno e simples experimento caseiro, utilizado até pela criançada
em feiras de ciências nas escolas, mas de interessantes resultados,
sobretudo para se iniciar em conhecimentos práticos sobre o solo.
 
Consiste em é utilizar uma mesma espécie de planta
com diferentes tipos de solo da sua região, para ver qual apresenta melhor resultado.
 
Para que suas respostas apresentem confiabilidade,
será preciso equalizar os outros fatores como luz (horas de brilho solar direto ou não), temperatura, umidade do solo, umidade do ar, ventos, quantidade de solo por vaso, etc.
 
Material necessário:
25 plantas de mesma espécie e tamanho,
25 vasos idênticos em material, cor, etc.
5 tipos diferentes de solo
 
Delineamento Experimental:
5 tratamentos e 5 repetições:
 
Procedimento:
Homogeneíze bem o solo de cada um dos tipos;
Plante cinco plantas com cada um dos tipos de solo.
 
Em datas determinadas,
faça observações em todos os vasos e anote tudo organizadamente.
 
=> Quanto mais repetições, tanto mais segura vai ser sua resposta
(diminuirá o chamado "erro amostral", que é resultante de fatores
que não conseguimos controlar com perfeição);
 
=> Quanto mais tratamentos, mais específica será sua resposta;
 
A tabela abaixo talvez ajude a entender o delineamento.
 
tratamento 
solo s1 
tratamento 
solo s2
tratamento 
solo s3 
tratamento 
solo s4 
tratamento 
solo s5
repetição R1 s1 - R1 s2 - R1 s3 - R1 s4 - R1 s5 - R1
repetição R2 s1 - R2 s2 - R2 s3 - R2 s4 - R2 s5 - R2
repetição R3 s1 - R3 s2 - R3 s3 - R3 s4 - R3 s5 - R3
repetição R4 s1 - R4 s2 - R4 s3 - R4 s4 - R4 s5 - R4
repetição R5 s1 - R5 s2 - R5  s3 - R5 s4 - R5 s5 - R5
 
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 Luz
Algumas espécies não toleram sol direto,
outra preferem mesmo uma luminosidade difusa, e outras ainda, preferem a sombra.
No geral, porém, grande parte das espécies de árvores
gostam de muita luz e uma boa insolação direta.
 
O ideal é oferecer o máximo de luz solar que a espécie pode
suportar com saúde, pois com isto ela tende a não se alongar, e a produzir mais galhos.
Quanto mais sol (luz), mais cresce (aparenta mais idade).
 
 É interessante conhecer a reação de cada planta,
aí no seu ambiente (apartamento, casa, pátio, etc.),
mas todo cuidado é pouco para uma mudança de local.
Por vezes, é preciso vários meses ou até anos, para que a planta possa
se adaptar completamente à um novo regime de insolação.
 
Certas espécies são muito sensíveis à troca de luminosidade,
sobretudo da sombra para o brilho solar direto.
 
Quando este é o objetivo, deve-se promover uma mudança lenta e crescente que,
dependendo da espécie e juventude da planta,
poderá levar meses para que se complete em segurança o procedimento.
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Vento
 O Vento acelera a evaporação das folhas e estas, para compensar,
tomarão mais água do solo.
 
Também o solo sofrerá mais intensamente a perda de água direta.
Em dias ventosos,  portanto, devemos dar especial atenção para a rega.
Quando em demasia, poderá ainda quebrar galhos, virar ou derrubar vasos.
 
Cuidado também com bonsais colocados embaixo de grandes árvores,
pois delas poderão cair perigosos galhos.
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Poda
 As podas, sobretudo das pontas, são importantes para encaminhamento do
crescimento e como indutores de novos pontos de brotação.
Devem ser aplicadas com o cuidado e a freqüência que sua sensibilidade ditar.
Uma poda muito profunda (em galhos grossos), deixará seqüelas por muitos anos,
talvez décadas, tirando a naturalidade da planta.
 
Há nas pontas dos galhos, a chamada "dominância apical", que em resumo,
é por onde a planta cresce, e é para lá que se dirigem as "atenções" e nutrientes da planta.
Podando-se estas pontas, se induzirá a planta a soltar novos brotos alternativos.
Poderemos então escolher quais dos brotos alternativos iremos manter.
 
A poda de raízes é um procedimento interessante
para estimular a produção de novos ramos radicais,
e com isto, renovar parte da estrutura de fixação e absorção.
 
Deve ser feira com muito grande moderação e extremo cuidado,
até que se conheça bem as reações das espécie e do indivíduo em questão.
 
 Uma poda de raiz poderá atrasar o desenvolvimento da planta, ou reanimá-la.
Depende do momento, das condições de saturação radical do solo, etc.
 
Não há regra, mas usualmente, uma pequena poda anual, no máximo,
ou uma poda mais profunda à intervalos maiores.
 
Se a planta está bem, não deve ter suas raízes mexidas.
 
Se tiveres aquela vontade de mexer,
coloque mais matéria orgânica e uma minhoquinha embaixo.
A minhoca, se gostar do novo lar, nos próximos meses, enquanto cresce,
promoverá aeração, descompactação, revolvimento do solo
e ainda acrescentará elementos fosfatados.
 
Para que a minhoca goste da moradia, a matéria orgânica que a alimentará
deverá estar em avançado estágio de decomposição,
o que pode ser comprovado quando esta apresentar um cheirinho de terra úmida.
 Ainda, o solo do vaso, deverá estar sempre úmido.
Não sendo assim,
nossa amiguinha irá embora
em busca de melhores condições habitacionais.
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Temperatura
 Muita atenção com a temperatura do ar.
Ela está diretamente relacionada com a umidade do ar e por conseguinte, do solo.
(veja sobre umidade relativa do ar)
 
Evite sol intenso direto no solo. Interessante é cobri-lo com capim seco.
Outros vegetais que surjam no vaso, poderão oferecer belo visual e boa proteção do solo,
mas em demasia, concorrem com a planta principal pelos nutrientes.
 
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Adubação
Pode ser orgânica ou química.
A orgânica porém, produzirá um ambiente muito mais saudável,
pois alimenta a vida do solo de maneira mais eficiente.
 
A coisa acontece mais ou menos assim:
Os microorganismos do solo se nutrem da matéria orgânica (animal ou vegetal),
e nisto, procedem sua decomposição em substâncias mais simples,
até que cheguem novamente aos elementos inorgânicos,
dos quais as plantas se nutrem, fechando o ciclo.
 
A adubação química é complicada ainda, pois não se sabe o requerimento deste solo,
e ainda incorre-se muito facilmente ao risco de intoxicação da planta por excesso,
que em grande parte das vezes, os sintomas já aparecem tardiamente,
levando a planta à morte.
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 Estruturação
A aparência de um bonsai deve-se em grande parte,
à estruturação que dermos à ele.
 
A interface solo/atmosfera,
pode ser considerado o centro de irradiação do crescimento da planta.
Seu crescimento partiu dali para cima (parte aérea) e dali para baixo (parte radical).
 
Na parte radical,
os manejos ficam normalmente por conta das podas.
 
Na parte aérea,
além da poda, outros artifícios poderão contribuir para altera seu aspecto geral.
 
 De um modo geral, para boa parte das espécies,
uma árvore tortuosa apresenta um aspecto de maior antiguidade.
 
A forma e direção do tronco principal e galhos, pode ser estabelecido ou modificado com amarras de fitas, linhas, barbantes, etc. e assim mantidos por longo tempo
(alguns meses, ou até anos).
 
Outra maneira simples de se dar formato à galhos mais flexíveis,
é com a utilização de arame enrolado longitudinalmente ao ramos que se quer moldar,
daí, basta vergar um pouco o galho na posição desejada, que ele se manterá assim.
 
Este arame pode ser do tipo galvanizado, que é bastante flexível e de grande durabilidade.
É vendido normalmente por peso, e encontrável em diversas espessuras
em qualquer ferragem ou loja de material de construção.
 
 Não existe regra, e cada um faz conforme sua imaginação.
 
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