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Cálculo aumenta perigo de aquecimento
 
Simulação feita em 90 mil computadores diz que Terra pode esquentar entre 2C e 11C; máxima anterior era de 5C
 
Reinaldo José Lopes escreve para a "Folha de SP":
 
Com a ajuda de mais de 90 mil voluntários que emprestaram tempo ocioso de seus computadores,
cientistas britânicos chegaram a um resultado perturbador sobre o futuro da mudança climática na Terra.
Segundo eles, a incerteza do que pode acontecer é ainda maior do que se imaginava
-e a temperatura média da Terra poderia subir até 11C.
 
O trabalho, coordenado pelos físicos David Stainforth e Myles Allen, da Universidade de Oxford,
é uma gigantesca simulação computacional do que acontece quando os níveis de
dióxido de carbono (CO2, o principal gás responsável pelo aquecimento global)
chegam ao dobro da concentração que havia na atmosfera antes de 1750,
a data convencional para o início da Revolução Industrial.
 
"O que os nossos resultados mostram é que temos de nos perguntar
se estabilizar os gases-estufa em qualquer nível muito acima do pré-industrial
vai ser suficiente para garantir que não haja mudanças climáticas perigosas", disse Allen à Folha.
 
"Mesmo que estabilizemos os níveis de CO2 um pouco acima dos atuais,
coisa que ninguém está cogitando fazer no momento,
há risco de um aquecimento muito, muito maior que 2C", afirma o físico de Oxford.
 
Pintando o Seti
 
Allen e seus colegas conseguiram o feito de simular 100 mil anos (não-consecutivos) de mudança climática
apelando para uma estratégia já usada pelo Instituto Seti (sigla inglesa de Busca por Inteligência Extraterrestre).
 
No programa SETI@home,
1 milhão de voluntários emprestam a capacidade de processamento ociosa de seus computadores
para analisar ondas de rádio que vêm do espaço,
tentando achar sinais de seres extraterrestres.
 
No trabalho publicado hoje na revista "Nature" (http://www.nature.com),
a equipe disponibilizou para download uma simulação climática no site http://www.climateprediction.net.
O programa não é mais "pesado" para os PCs do que um jogo de computador normal.
 
Com 90 mil computadores operando, foi possível realizar muitas simulações ao mesmo tempo,
variando ligeiramente fatores como chuva, formação de nuvens e vento.
Às vezes o programa ou o computador "davam pau", e alguns dados anormais tinham de ser descartados.
 
"É fácil excluir dados como temperaturas de milhares de graus ou o surgimento de uma era glacial", conta Allen.
 
O que as simulações revelaram é um intervalo de aquecimento entre 2C e 11C,
enquanto os atuais modelos computacionais falam em algo entre 2C e 6C.
 
"Esse trabalho mostra que as incertezas sobre o modelagem climática ainda são muito grandes.
A ciência ainda não conhece o funcionamento básico do sistema climático terrestre em sua totalidade,
e surpresas, algumas desagradáveis, podem vir no futuro.
O melhor seria não arriscar", avalia o físico Paulo Artaxo, da USP,
que também estuda a interação entre CO2 e mudanças climáticas.
 
Outro aspecto importante do trabalho, segundo Artaxo,
é que ele sugere que a sensibilidade do clima da Terra a alterações na atmosfera é maior do que se imaginava.
"A humanidade pode estar jogando roleta-russa sem saber quantas balas tem o revólver."
 
É para discutir como interpretar os dados mais recentes sobre a crise climática
que cientistas de 30 países se reúnem na semana que vem em Exeter, no Reino Unido.
Um dos objetivos é definir o que exatamente configura um nível "perigoso" de aquecimento.
(Folha de SP, 27/1)
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Universo começou com nuvens de matéria escura, dizem cientistas
 
Objetos surgiram antes mesmo das estrelas
 
Salvador Nogueira escreve para a "Folha de SP":
 
Eles foram criados no princípio dos tempos.
Ainda estão por aí, vagando pelo Universo,
atravessando corpos como se eles não existissem e somente em raras ocasiões interagindo com a matéria normal.
Quem você vai chamar?
Com certeza, não os Caça-Fantasmas.
Mas tente Ben Moore, do Instituto de Física Teórica da Universidade de Zurique, Suíça.
 
Usando um poderoso supercomputador
para simular nada menos que a evolução do Universo quase desde o Big Bang
(começando uns 20 milhões de anos depois da explosão que teria dado origem ao cosmos),
ele chegou à conclusão de que
os primeiros objetos formados foram nuvens com o tamanho do Sistema Solar e a massa da Terra,
feitos de partículas que ninguém consegue ver.
 
Esses chamados "halos" ainda existem por aí
e varrem o planeta (e tudo que há nele, inclusive nós) a cada poucos milhares de anos.
E há um bocado deles lá fora.
Só nos arredores da Via Láctea, a galáxia na qual o Sistema Solar está,
haveria cerca de 1 milhão de bilhões de objetos como esses,
se os cálculos de Moore estiverem corretos.
É 10 mil vezes mais do que o número de estrelas na mesma região.
 
"Eles são mais como nuvens de partículas, mais concentradas na região do centro", disse o cientista à Folha.
Seu estudo, publicado na edição de hoje da revista científica britânica "Nature",
ajuda a explicar onde está toda a matéria do Universo.
 
Minoria
 
O mistério intriga os cientistas há décadas.
Ao somarem todas as estrelas e galáxias que podem ver,
eles descobriram que essa matéria "comum" não responde nem por 5% de toda a massa que deveria haver
para explicar alguns efeitos gravitacionais observados, como, por exemplo,
o ritmo de rotação de galáxias (que é mais rápido do que deveria ser
se as estrelas e o gás fossem tudo o que há por lá).
 
À massa faltante os cientistas deram o auspicioso nome de "matéria escura",
e ninguém até hoje sabe o que ela é de fato.
Os grupo de Ben Moore aposta que ela é composta por partículas chamadas de neutralinos,
os primos ricos dos neutrinos.
 
"Bem, neutrinos e neutralinos são bem parecidos,
ambos têm massa e ambos interagem bem fracamente com os átomos normais.
Portanto, os dois passam direto por nosso corpo em enormes quantidades a cada segundo", diz Moore.
"A principal diferença é a sua massa -a do neutralino é bem maior."
 
Um problema para a hipótese defendida por Moore,
que hoje é a principal candidata a explicar a matéria escura, é o fato de que,
diferente dos neutrinos, nunca ninguém conseguiu ver um neutralino.
E a própria idéia vem da teoria de que existe uma "supersimetria" entre partículas,
algo que também não foi confirmado.
 
Mas não o será por muito tempo, segundo Moore.
"O Grande Colisor de Hádrons [LHC, na sigla em inglês],
no Cern [principal laboratório de física de partículas na Europa],
irá detectar evidências da supersimetria e dos neutralinos, se eles estiverem lá!"
 
Segundo ele, a tal supersimetria, embora não-comprovada, é uma idéia consolidada.
"Não é tão controversa -grande parte da motivação para gastar os bilhões de dólares que o LHC vai custar
é demonstrar a existência da supersimetria.
Os cientistas em geral não gastam esse monte de dinheiro sem uma razão muito boa."
 
Segundo o grupo,
também será possível detectar uma nuvem de neutralinos no espaço,
caso ela exista mesmo -ela emitiria raios gama,
o tipo de radiação eletromagnética mais energético do Universo,
num padrão bem distinto, reconhecível.
(Folha de SP, 27/1)
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FDA aprova genérico antiaids
 
Governo dos EUA vai poder comprar medicamentos mais baratos
e em maior quantidade para uso em países pobres
 
A FDA, agência de controle de alimentos e medicamentos dos EUA,
aprovou anteontem o primeiro coquetel genérico de terapia tripla contra a aids,
abrindo caminho para que os dólares do contribuinte americano
sejam usados na compra de remédios mais baratos para uso em países pobres.
 
Considerando que as drogas fabricadas pela companhia aprovada,
a Aspen Pharmacare da África do Sul,
custam entre um terço e metade do que os medicamentos de marca,
seria possível tratar duas ou três vezes mais pacientes.
 
"O objetivo dos EUA
é custear o tratamento de 2 milhões de pacientes de países em desenvolvimento até 2008",
diz o embaixador Randall L. Tobias,
coordenador global americano para a aids.
Sua pasta administra os US$ 15 bilhões prometidos pelo presidente Bush
há dois anos para a luta contra a doença.
 
Os EUA doam até um terço do orçamento do Fundo Global de Luta contra a Aids, Tuberculose e Malária,
que pode ser gasto com qualquer medicamento aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A maior parte do restante do dinheiro vai para o Plano de Emergência para Assistência à Aids,
que ajuda 13 países africanos, além de Haiti, Guiana e Vietnã,
e só pode ser usado para drogas aprovadas pela FDA.
 
A Aspen, baseada na África do Sul,
ainda não anunciou o preço de seus produtos,
mas os similares indianos custam entre US$ 240 e US$ 360 por paciente por ano.
As versões de marca ficam em cerca de US$ 660.
 
"Sempre quisemos as drogas de mais baixo custo, não importando de onde venham,
contanto que sejam seguras e eficazes",
afirmou Mark R. Dybul, um conselheiro médico de Tobias.
A aprovação da FDA refere-se apenas à comercialização fora dos EUA
- na prática, apenas em países pobres,
já que os medicamentos são patenteados na Europa, no Japão e outros mercados ricos.
 
A agência aprovou a solicitação da Aspen duas semanas depois de ela ter sido concluída.
A aprovação leva normalmente pelo menos seis meses e exige o pagamento de uma taxa de US$ 500 mil.
O governo Bush disse em maio que aceleraria o processo e suspenderia a taxa.
 
A combinação aprovada consiste numa pílula com AZT e lamivudina e outra com nevirapina.
O paciente toma as duas pílulas duas vezes por dia.
A primeira equivale ao Combivir, da GlaxoSmithKline; e a outra, ao Viramune, da Boehringer-Ingelheim.
 
Uma pílula ideal reuniria as três drogas, como a fabricada pelas companhias indianas.
Mas Dybul explicou que a nevirapina é a que tem mais probabilidade entre as três de causar efeitos colaterais.
Portanto, seria uma vantagem o paciente poder abrir mão apenas da nevirapina
e tomar uma droga substituta caso se tornasse disponível.
 
Acesso à matéria-prima
 
No Brasil, o coordenador do Programa Nacional de DST-Aids, Pedro Chequer,
acredita que a decisão dos EUA trará um impacto positivo no acesso a medicamentos
em países beneficiados por programas internacionais.
 
"Como o preço dos genéricos é mais baixo,
será possível comprar uma quantia maior de remédios com os recursos disponíveis", disse.
Uma mudança indiscutivelmente benéfica,
mas que faz o Brasil pensar com maior ênfase na questão do acesso à matéria-prima
para preparo de medicamentos antiaids,
sejam eles protegidos ou não por patentes.
 
"A notícia reforça a necessidade de nos tornarmos auto-suficientes na produção da matéria-prima", diz Chequer.
Isso vale para qualquer droga antiaids.
O coordenador lembra o alerta recente feito pela OMS
sobre o risco de escassez de matéria-prima para alguns medicamentos.
 
"Por isso, é indispensável que tomemos todas as providências para produção nacional", completa.
Segundo ele, laboratórios privados têm tecnologia para produção de drogas que já perderam a patente.
 
Desde que assumiu o cargo, em meados do ano passado,
Chequer concentrou seus esforços para a formação de uma rede de laboratórios públicos,
para que fosse possível também a produção de medicamentos protegidos por patentes.
 
A produção da matéria-prima destas drogas, no entanto,
ficariam sob responsabilidade de laboratórios nacionais privados.
 
"Acreditamos que, depois da licença compulsória,
levaria entre cinco a seis meses para iniciarmos a produção em larga escala.
" Segundo Chequer, as negociações para quebra de patentes continuam sendo realizadas.
(The New York Times e Ligia Formenti)
(O Estado de SP, 27/1)
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Inspirada no país, OMS avança na luta contra a aids
 
Em seis meses, agência conseguiu dar tratamento gratuito a 700 mil pessoas
 
Jamil Chade escreve para "O Estado de SP":
 
Baseada na experiência brasileira, a Organização Mundial da Saúde (OMS)
anuncia que já conseguiu que 700 mil pessoas com aids nos países em desenvolvimento recebam tratamento gratuito.
 
O número é 75% maior do que em julho
e representa a primeira fase do projeto da agência da ONU
para atender 3 milhões de aidéticos até o fim do ano.
 
Apesar dos avanços,
a OMS alerta que terá de ser feito maior esforço para que a meta seja atingida,
porque há 6 milhões de pessoas que precisam de assistência nos países menos desenvolvidos.
Na avaliação da agência,
outros US$ 2 bilhões serão necessários neste ano para alcançar a meta
e os demais 2,3 milhões de pessoas serem beneficiados.
 
O projeto foi iniciado em 2003 com a entrada do novo diretor da OMS, Jong-wook Lee,
que levou para Genebra o então coordenador do programa brasileiro de combate à aids, Paulo Teixeira.
 
O brasileiro, que já deixou a OMS, foi o responsável por montar o programa,
que agora começa a dar os primeiros resultados.
Na época, ele dizia
que o segredo para conseguir que os medicamentos fossem distribuídos nas regiões mais pobres do mundo
seria a colaboração entre governos, organizações internacionais e empresas.
 
Para a OMS, a experiência do Brasil
"mostrou que países de renda média podem dar terapia por meio de seus setores públicos
e atingir o acesso universal do tratamento para a população com resultados excelentes".
 
Segundo a entidade,
o Brasil é a "inspiração" do atual projeto ao demonstrar que,
com vontade política, se pode atingir tal meta.
Para a OMS,
o país tem o programa de tratamento "mais avançado" entre as economias em desenvolvimento
e cerca de cem mil mortes foram evitadas com o "uso estratégico dos recursos".
 
A agência pede que outros países sigam o exemplo do Brasil e lembra que,
em seis meses, conseguiu dobrar o número de pessoas em tratamento na África,
passando de 150 mil para 310 mil.
Mas, como o tratamento custa US$ 300 por pessoa por ano,
admite que apenas 12% dos 6 milhões de aidéticos no mundo em desenvolvimento têm acesso a ele.
 
Na África, só 8% da população é beneficiada.
Já na América Latina, há 275 mil aidéticos recebendo o tratamento gratuito
- 65% dos que dependem de ajuda do governo.
Desses, 154 mil estão no Brasil.
 
Para a OMS,
o programa precisa de maior compromisso político e financeiro.
Um fundo global já foi criado, mas não consegue arrecadar recursos suficientes.
(O Estado de SP, 27/1)
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Pesca e comércio põe em risco os cavalos-marinhos
 
Pesquisa revela que as duas espécies desses peixes existentes no Brasil
estão sendo superexploradas comercialmente. Ibama poderá adotar moratória da sua captura
 
Evanildo da Silveira escreve para "O Estado de SP":
 
A pesca predatória e a destruição de hábitats importantes para seu ciclo de vida,
como mangues e recifes de corais,
está colocando em risco as duas espécies conhecidas de cavalos-marinhos do Brasil.
No ano passado,
ela entraram para a lista de animais superexplorados para fins comerciais
do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
 
Para tentar reverter a situação,
várias Universidades e o MMA se uniram num projeto de pesquisa,
que está fazendo um levantamento da população desses peixes no litoral do país e um plano de manejo.
Na verdade, o trabalho vem sendo feito desde 2000,
quando a pesquisadora Ierecê Lucena Rosa,
da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
criou o primeiro projeto de estudo e conservação dos cavalos-marinhos do Brasil.
 
Em 2002, as pesquisas passaram a ser feitas em conjunto com o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
e com as Universidades Federais do Ceará (UFC),
Pernambuco (UFPE),
São Carlos (UFSCar),
Fluminense (UFF) e
Estadual da Paraíba.
 
Entre as principais descobertas do trabalho está o grande comércio desses peixes.
"Os cavalos-marinhos são comercializados vivos ou secos em praticamente toda a costa brasileira", diz Ierecê.
 
"Uma das principais fontes para esse comércio é a pesca industrial do camarão,
pois os cavalos-marinhos, assim como outros animais,
são arrastados juntos nas redes que pegam os crustáceos."
 
É o que se chama de descarte da pesca.
No caso dos cavalos-marinhos, no entanto,
muitos pescadores secam esses animais nos seus barcos
e os vendem para comerciantes de remédios caseiros,
para lojas de umbanda (onde são vendidos como amuletos)
e como souvenir ou artesanato.
Além dessa forma de comércio,
os peixes também são vendidos como animais ornamentais para aquários.
 
Segundo Ierecê,
pelo menos 77 países comercializam os cavalos-marinhos, entre eles o Brasil.
"O papel do nosso país nesse setor vem crescendo nos últimos anos
e hoje se estima que seja um dos cinco maiores exportadores desses peixes vivos", explica.
"Em 2000, o Brasil vendeu cavalos-marinhos para 19 países."
 
Diante desse quadro e dos primeiros resultados das pesquisas,
o MMA, por meio do Ibama, resolveu reduzir o comércio de cavalos-marinhos.
"Em maio do ano passado, baixamos a Instrução Normativa n.º 5,
que reduz as cotas de exportação",
diz Rômulo Mello, diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama.
 
"Em 2001 cada empresa poderia exportar 5 mil espécimes.
Em 2002 o número caiu para mil e agora para 250.
O número de empresas também diminuiu, de 14 em 2002 para 3 agora."
 
A importância dos manguezais para os cavalos-marinhos
é outra descoberta importante da pesquisa coordenada por Ierecê.
"Os mangues não servem apenas como fonte alimento,
mas também como local de reprodução e abrigo", explica.
 
"Os cavalos-marinhos utilizam sua cauda preênsil para agarrar raízes de mangue
ou organismos que se fixam nelas, para se abrigar dos predadores."
 
Se é possível controlar o comércio, o mesmo não se consegue com a pesca.
A bióloga Ana Maria Torres, do Ibama, em Itajaí, responsável pela pesquisa na costa catarinense,
lembra que a pesca de arrasto do camarão, maior responsável pela captura de cavalos-marinhos,
é uma atividade legal.
"Não há muito a fazer", diz.
 
"A pesca ilegal, por sua vez, é difícil de fiscalizar.
Imagina controlar todas as praias do litoral brasileiro?"
 
Por isso, o Ibama pretende usar os resultados do trabalho dos pesquisadores
para estabelecer um planto de gestão ambiental para os cavalos-marinhos.
"Além de reduzir as cotas, poderemos adotar outras medidas de proteção e conservação desses peixes", explica Melo.
"Se for o caso, podemos até mesmo impor uma moratória na sua pesca."
 
Peixes, apesar de estranhos
 
Peixes: Apesar da aparência, os cavalos-marinhos são peixes.
Eles pertencem à família Syngnathidae, que inclui peixes-cachimbo e dragões-marinhos.
 
Espécies:
Há 33 espécies conhecidas no mundo, todas de um único gênero,
Hippocampus, do grego hippos (cavalo) e campus (monstro do mar).
No Brasil, existem duas, Hippocampus reidi e Hippocampus erectus.
 
Cauda:
Característica única entre os peixes, sua cauda é preênsil, isto é,
tem a capacidade de se agarrar a algas, corais e raízes de mangue.
 
Grávido:
Sua reprodução é surpreendente.
É o macho que fica grávido e cuida dos filhotes numa bolsa incubadora.
(O Estado de SP, 27/1)
 
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Infarto provocado pelo frio
 
Mudanças bruscas de temperatura em grandes cidades,
principalmente do quente para o frio, podem aumentar o risco de infarto na população
 
Thiago Romero escreve para a "Agência Fapesp":
 
Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto do Coração (Incor),
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP,
mostrou que as mudanças bruscas de temperatura em grandes cidades,
principalmente do quente para o frio,
podem aumentar o risco de infarto na população.
 
O estudo relacionou o número diário de mortes ocasionadas por problemas cardiovasculares,
entre 1998 e 2000,
com informações sobre temperatura, umidade do ar, pressão e poluição atmosférica na região metropolitana de SP.
 
As estatísticas apontaram que,
nos dias em que foram registrados baixas temperaturas na cidade,
o número de infartos aumentou, principalmente entre os mais velhos.
 
A pesquisa, que serviu como tese de doutorado para o médico associado do Incor,
Rodolfo Scharovisky,
apresentada em 2004 na Faculdade de Medicina da USP,
foi coordenada pelo diretor da Unidade Clínica de Coronariopatias do Incor,
Luiz Antonio Machado César.
 
Os pesquisadores dividiram os dados sobre a temperatura na capital paulista em dez categorias.
As mais baixas variavam entre 12ºC e 13ºC, enquanto as mais altas entre 25ºC e 26ºC.
 
"Após a realização de um estudo de séries temporais,
verificamos que nos dias com extremos de temperatura
ocorreram 30% a mais de mortes por infarto do miocárdio do que naqueles com clima ameno",
disse Rodolfo Scharovisky à 'Agência Fapesp'.
 
"A poluição do ar e a temperatura
são as variáveis com maior influência no aumento de mortes por infarto do miocárdio."
 
Os pesquisadores apontam três motivos principais
que podem explicar a relação entre as condições do tempo e as variações no número de infartos.
Além das inflamações respiratórias que colaboram com problemas cardiovasculares,
os fatores de coagulação do sangue ficam mais ativos em dias frios,
favorecendo o fechamento das artérias coronárias.
 
Um terceiro motivo seria a vasoconstrição.
Para evitar a perda de calor em baixas temperaturas,
os vasos sangüíneos se contraem, provocando a elevação da pressão arterial
e a obstrução em pessoas que já possuem algum tipo de placa de gordura atrapalhando a circulação arterial.
(Agência Fapesp, 27/1)
 
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Atração permanente
 
A exposição fotográfica "Biodiversidade do Estado de SP:
Cores e Sombras", montada em 2004 como parte das comemorações dos cinco anos do Programa Biota/Fapesp,
conta agora com residência definitiva
 
Após seis meses percorrendo o Estado de SP,
os 54 painéis foram incorporados ao acervo da Estação Ciência da USP.
 
A mostra tem como objetivo transmitir ao público leigo e a estudantes dos ensinos fundamental e médio
informações sobre a Mata Atlântica e o Cerrado,
os dois grandes biomas paulistas.
 
Textos didáticos, mapas e imagens de satélites mostram aos visitantes
a distribuição espacial dos ambientes aquáticos,
de centros urbanos e da vegetação nativa remanescente.
 
A exposição é resultado de uma parceria do Programa Biota/Fapesp
com a Editora Horizonte Geográfico e o Serviço Social do Comércio (Sesc),
com apoio da Fapesp e do Citigroup e patrocínio da Natura Cosméticos.
 
Em junho de 2004, a mostra foi aberta no Espaço Cultural do Citigroup, na avenida Paulista,
sendo posteriormente apresentada em diversas unidades do Sesc na capital e no interior.
Os organizadores estimam que tenha recebido um público superior a 75 mil pessoas até dezembro.
 
A mostra ficará exposta na Estação Ciência até 31 de março.
Em abril, já definitivamente incorporada ao acervo da unidade da USP,
a exposição participará do 4th Science Centre World Congress:
"Breaking barriers, engaging citizens", no RJ, de 10 a 14 de abril.
Posteriormente, a critério da Estação Ciência,
deverá ser montada em outros centros de exposição ou museus do país.
 
Mais informações: http://www.biota.org.br/expobio e http://www.eciencia.usp.br
 
Alguns destaques da exposição podem ser conferidos em http://www.fapesp.br/expobio
(Agência Fapesp, 27/1)
 
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Lançamento do Projeto Mogi-Guaçu
 
Dia 28/1, às 13:30h, na Oficina Cultural Regional "Sérgio Buarque de Holanda",
Rua São Paulo, 745 - Centro - São Carlos, SP
 
O projeto, financiado pelo "Programa Patrocínio Ambiental" da Petrobras
e coordenado por Evaldo L. G. Espíndola,
do Núcleo de Estudos de Ecossistemas Aquáticos (NEEA/CRHEA/SHS/EESC/USP)
e visa nortear ações que se reflitam na prevenção
e atenuação dos impactos ambientais na bacia hidrográfica de montante do Rio Mogi-Guaçu
e na região do Alto Mogi,
englobando as cidades de Albertina, Andradas, Bom Repouso, Bueno Brandão,
Ibitiúra de Minas, Inconfidentes, Jacutinga, Monte Sião, Munhoz, Ouro Fino,
Senador Amaral, Tócos do Mogi, Serra Negra, Socorro, Lindóia,
Águas de Lindóia, Itapira e Espírito Santo do Pinhal.
 
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