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Portugueses acham 130 pegadas de dinossauro
com 135 milhões de anos
 
Pesquisadores anunciaram na sexta-feira
a descoberta de cerca de 130 pegadas de dinossauro no oeste de Portugal,
área já conhecida por seus achados do período Jurássico (de 180 milhões a 135 milhões de anos atrás).
 
As trilhas foram feitas por diversas espécies do grupo e estão bem preservadas,
afirmou Octavio Mateus, paleontólogo e curador do museu de Lourinha (região central daquele país).
 
As pegadas foram descobertas por um morador da região, em agosto,
e estão no litoral, cerca de 80 quilômetros ao norte de Lisboa.
"Essa é uma descoberta muito importante", disse o pesquisador.
"Ainda temos uma área grande para escavar
e estamos muito ansiosos em relação ao que mais podemos achar."
 
De acordo com Mateus, que lidera os estudos na área,
elas parecem datar do fim do Jurássico, período em que os mamíferos com placenta
(como os humanos e a maioria dos membros do grupo hoje)
começaram a aparecer no planeta, mas no qual os dinossauros e ainda dominavam todos os ambientes.
 
Nos últimos anos,
a costa portuguesa já revelou um ninho de dinossauro com mais de cem ovos,
alguns dos quais com embriões,
e uma das maiores trilhas feitas por saurópodes
(grandes dinossauros herbívoros de pescoço longo).
(Da Associated Press)
(Folha de SP, 11/10)
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Abelha brasileira monopoliza comida
Reinaldo José Lopes (para a "Folha de SP")
 
O monopólio e os segredos comerciais acabam de ser desmascarados
numa sociedade que parecia ser um mar de rosas.
Ciosas do lucro de sua própria colônia,
abelhas brasileiras montam uma trilha de cheiro apenas parcial
entre a fonte de alimento e o caminho até a colméia
e ainda por cima zelam para que só suas conhecidas cheguem até lá.
 
Esse arsenal de artimanhas foi flagrado nas abelhas sem ferrão Trigona hyalinata
pelos pesquisadores Felipe Contrera e Paulo Nogueira-Neto,
do Instituto de Biociências da USP,
e seu colega James Nieh, da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA).
 
O trio monitorou uma colônia dos insetos em São Simão (285 km de SP), na primavera de 2001,
para chegar aos resultados.
O trabalho já está na versão on-line da revista científica "Proceedings of the Royal Society B".
 
É bom que se diga que as abelhinhas, cujo nome popular é xupé ou guaxupé,
já tinham certa reputação de gângsteres.
Apesar de não terem ferrão, como de resto todas as abelhas nativas das Américas,
elas usam suas mandíbulas para morder as asas de intrusas
(em geral, em grupos de três contra uma) e jogá-las ao chão.
 
Para testar como os bichos indicam fontes de alimento para outros membros da colônia,
o grupo planejou um experimento cujo centro era um recipiente cheio de solução açucarada,
a 146m de uma colônia de guaxupés.
 
Como a idéia era rastrear qual o caminho da colméia à fonte de comida,
o grupo decidiu marcar apenas dez operárias com tinta não-tóxica.
Essas podiam ir e voltar livremente,
enquanto as demais eram capturadas assim que pousavam para se alimentar.
 
A outra ponta do esquema montado pelos pesquisadores era uma corda,
cheia de folhas coladas por eles.
Esse arremedo de galho deveria servir como plataforma para que os insetos deixassem sua trilha de odor
-no caso da T. hyalinata, um feromônio que sai de uma glândula da mandíbula.
 
A análise das trilhas e do comportamento dos bichos não deixou dúvidas:
a trilha de odor era polarizada, isto é,
ficava mais marcada à medida que se aproximava do líquido açucarado.
 
Mas ela não se estendia por todo o caminho:
ia, no máximo, a uma distância de 27 m do recipiente,
sinal de que os animais estavam escondendo o jogo para evitar competidores.
 
No entanto, como isso poderia evitar que as próprias colegas de colônia chegassem à fonte de alimento,
a solução era ir até o ninho e recrutar abelhas "de confiança".
"Não estudamos o que acontecia dentro da colônia, mas aparentemente é isso o que ocorre.
Elas chegavam em grandes grupos de uma vez, com cem ou mais abelhas", diz.
 
A estratégia é diferente da de outras abelhas,
que marcam todo o caminho ou a fonte de comida.
(Folha de SP, 13/10)
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Os últimos reis: diminui a população de leões
Stephanie Pain (para Revista "New Scientist")
 
"Você poderia repetir esse número?"
A ligação estava ruim, e eu achei que não entendera o que Laurence Frank tinha dito.
 
"Mais ou menos 23 mil."
Parece que é esse o número de leões que ainda sobrevivem em toda a África.
É um número chocante por ser tão pequeno.
 
Mas isso não é tudo:
"Não são apenas os leões. As populações de todos os predadores africanos
estão se reduzindo drasticamente",
disse Frank, que é biólogo da Universidade da Califórnia em Berkeley.
 
Há 20 anos, a população leonina parecia estar muito bem.
Não havia números exatos a seu respeito,
mas os conservacionistas estimavam os leões em cerca de 200 mil.
Eles pareciam estar se multiplicando nos parques e nas reservas naturais.
 
O que ninguém observara é que estavam desaparecendo em todos os outros lugares,
e a mesma coisa se passava com outros predadores.
Antigamente, os cães selvagens percorriam a maior parte da África subsaariana.
 
Hoje existem entre 3.000 e 5.500 deles,
vivendo numa minúscula fração do território que ocupavam antes.
"As pessoas sabem do perigo que correm os elefantes, gorilas e rinocerontes,
mas parecem ignorar por completo que os grandes carnívoros estão perto do fim.'
 
"Os humanos sempre mataram os predadores", diz Frank.
"Hoje em dia, porém, todo mundo tem fuzis e venenos."
A situação ainda não é tão desesperadora quanto a de animais em outras partes do mundo.
"Os grandes carnívoros foram eliminados em quase todo o mundo", afirma.
 
"Na África, ainda não é tarde demais."
A estratégia atualmente utilizada para conservar os carnívoros
consiste quase inteiramente na criação de parques e reservas naturais - ou seja,
basicamente, manter os humanos e os predadores longe uns dos outros,
especialmente porque os animais matam o gado tão caro aos humanos.
 
"Essa estratégia já não é o suficiente", afirma Frank.
Depois de passar sete anos estudando as relações entre humanos,
gado e predadores na região de Laikipia, na parte central do Quênia,
como chefe do Projeto Predadores de Laikipia,
Frank está convencido de que a convivência é possível.
E ela pode ser garantida com pouco esforço e a um custo mínimo.
 
Laikipia é um pontinho no mapa da África -
área de 10 mil km2 de mata baixa, semi-árida.
Parte dessa área é usada comercialmente para a criação de gado,
e parte é usada como terra de pastagem comunitária das populações masai.
 
A região sofre o que Frank chama de "a catástrofe completa" em termos de gado:
ovelhas, cabras, gado bovino e camelos.
Mas existe uma diferença importante: a área ainda tem carnívoros grandes.
 
"Laikipia é um laboratório ideal para estudar o que acontece entre
predadores e gado e entre humanos e predadores e para buscar maneiras
de reduzir o conflito entre eles', diz Frank.
 
Ele e a Sociedade de Conservação da Fauna Selvagem, que o patrocina,
esperam que as lições aprendidas em Laikipia sejam aplicadas em outras partes do continente.
Mesmo ali, os leões desapareceram das terras comunitárias.
 
Nas fazendas, porém, a situação é outra.
A maioria dos fazendeiros encoraja a presença da fauna em suas terras,
interessados em aumentar o número de ecoturistas.
 
Eles colocam pouco gado em suas terras,
deixando pastagens para os herbívoros nativos,
e a maioria reluta em matar os predadores.
Com isso, Laikipia é o único lugar do Quênia em que a fauna está crescendo.
 
A região possui entre 100 e 150 leões
e um bom número de guepardos, leopardos e hienas malhadas e listradas.
Em 1998, os cães selvagens reapareceram na área depois de 20 anos.
 
Animais-problema
 
Embora os fazendeiros de Laikipia relutem em matar carnívoros,
há limite para quantas reses eles se dispõem a perder.
No passado, eles disparavam contra qualquer leão que vissem.
 
Hoje, a maioria tolera algumas perdas e mata apenas os animais "problemáticos",
que continuam matando gado.
 
Frank e sua equipe querem achar maneiras de reduzir o número de mortes.
Para que possam convencer os donos de gado a "pegar leve" com as armas e o veneno,
é útil saber até que ponto os carnívoros de fato ameaçam o gado.
 
Ao monitorar as mortes de cabeças de gado em Laikipia,
a equipe descobriu que os predadores matam em média 0,8% da população total de gado bovino
e 3% da população de ovelhas por ano -
ou seja, um terço do número de animais que morrem de doenças.
 
A melhor maneira de conservar os carnívoros é impedir que eles matem cabeças de gado, diz Frank.
A descoberta mais importante feita até agora pelo Projeto Laikipia
é que é possível que as pessoas reduzam suas perdas com pouco esforço e a um custo baixo.
 
O estudante de pós-graduação e integrante da equipe de Laikipia Mordecai Ogada,
da Universidade Kenyatta, em Nairóbi,
estudou como e por que os diferentes predadores matam gado e, em seguida,
buscou maneiras de frustrá-los nesse intento.
 
O método tradicional de pecuária no Quênia consiste em deixar o gado pastando durante o dia,
sob o olhar atento de pastores.
O perigo se torna maior após o anoitecer,
quando o gado é recolhido dentro de um cercado, conhecido como 'boma'.
 
O boma é feito de arbustos espinhosos com os quais é formado um curral,
cuja entrada é fechada depois que os animais estão em seu interior.
 
Ogada constatou que os leões são responsáveis por dois terços das mortes de cabeças de gado em bomas
e por quase todos os ataques.
 
A aproximação de um leão leva os animais a se apavorarem e a fugir para fora do boma,
onde se tornam presas fáceis.
Ovelhas e cabras são as presas mais fáceis;
tanto leões quanto leopardos simplesmente saltam para dentro do boma e as agarram.
 
A melhor defesa é uma boma densa e forte feita do arbusto espinhoso local.
Bomas feitas de pedra ou madeira, que já foram testadas em algumas regiões,
oferecem menos segurança do que se poderia imaginar.
 
Elas impedem o gado de fugir num estouro,
mas são menos eficazes para proteger ovelhas e cabras:
os leões e os leopardos simplesmente saltam sobre suas paredes e arrastam sua presa para fora.
 
A colocação de cercas elétricas alimentadas por energia solar em volta dos bomas de ovelhas
praticamente pôs fim às invasões.
 
Aqui e em boa parte da África, contudo,
o único argumento convincente que se pode apresentar em favor de vida dos predadores
é que eles representam ganho de dinheiro.
 
"Para a maioria das pessoas, esses animais não têm valor algum. São pragas", diz Frank.
"Os predadores precisam ter um valor financeiro."
 
Existem duas maneiras de conseguir isso.
A primeira é o ecoturismo.
Os fazendeiros de Laikipia já se beneficiam dos dólares do turismo,
e os pastores masai estão ansiosos por fazer o mesmo.
 
O retorno dos cães selvagens à região é sinal de esperança,
já que a maioria se estabeleceu nas terras comunitárias.
"Os pastores querem colaborar, mas precisam de muita ajuda", disse Frank.
 
Mesmo que essa ajuda se concretize,
o turismo não é a resposta adequada para todas as áreas.
   "O mercado do turismo é mais limitado do que pensam muitas pessoas", avisa Frank.
 
A alternativa é a caça de animais grandes, vistos como troféus.
Muitas pessoas não gostam da idéia, e a caça é proibida no Quênia há 25 anos.
Frank é defensor relutante da proposta.
 
"A caça paga já proporcionou um aumento enorme da fauna nativa na África do Sul e na Namíbia", diz ele.
A caça esportiva requer a conservação de grandes faixas de terra,
porque é necessária uma população grande e saudável de animais
para produzir alguns poucos machos próprios para se tornarem troféus de caça.
 
O sistema pode parecer desagradável, mas é prático.
"Um caçador esportivo pode gastar US$ 30 mil para abater um grande leão macho.
Alguns deles pagam US$ 15 mil por uma fêmea", diz Frank.
 
"Em Laikipia, seria possível ganhar meio milhão de dólares por ano
caçando os animais problemáticos que seriam mortos de qualquer maneira."
Seria o suficiente para compensar o custo de toda a população local de leões por dez anos.
 (Tradução: Clara Allain)
(Folha de SP, Mais!, 12/10)
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 Sonar desorienta e encalha baleias, afirma pesquisa
 Reinaldo José Lopes (para a "Folha de SP")
 
Donas de um dos ouvidos mais sensíveis do reino animal,
as baleias podem estar encalhando e morrendo em massa por causa desse sentido aguçado.
E o vilão, sugerem pesquisadores espanhóis e britânicos,
são os exercícios militares feitos com sonar.
 
O grupo conseguiu correlacionar a morte de 14 baleias-bicudas
com uso de sonar em exercícios da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte),
liderados pela Espanha nas ilhas Canárias, em 24 de setembro do ano passado.
 
Os bichos começaram a encalhar cerca de quatro horas depois do início dos testes
e apresentavam vários dos seus órgãos cheios de bolhas de ar.
É um sintoma de descompressão,
mal que acomete os mergulhadores que sobem rápido demais à superfície.
Esse padrão de danos internos também apareceu em baleias e golfinhos
que encalharam no Reino Unido nos últimos dez anos.
 
Ainda é difícil explicar como o sonar pode ter afetado os animais de forma tão violenta,
mas o fato é que todo cuidado é pouco.
"O Ministério da Defesa espanhol suspendeu todas as manobras militares nessa zona
até que se esclareçam definitivamente as causas do encalhe e da morte desses cetáceos
[ordem de mamíferos a que pertencem baleias e golfinhos]",
afirmou à Folha o veterinário espanhol Antonio Fernández, 44,
da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria.
 
Ao lado de seu colega britânico Paul Jepson, da Sociedade Zoológica de Londres,
Fernández coordenou o estudo que está na última edição da revista científica 'Nature' (http://www.nature.com).
 
O pesquisador diz não acreditar que os exercícios militares sejam a principal causa de encalhamento de baleias.
"Mas o problema continua a se repetir em associação com as manobras.
É a terceira vez que ocorre a mesma coisa na ilha de Fuerteventura", exemplifica.
A outra ilha em que o encalhamento ocorreu foi a de Lanzarote,
onde vive o escritor português e Prêmio Nobel José Saramago.
 
Baleias com dentes
 
As baleias que terminaram seus dias nas praias das Canárias estão, na verdade, mais para golfinhos grandes.
Assim como eles, possuem dentes afiados
(ao contrário das imensas baleias filtradoras que trocaram os seus por barbatanas ao longo da evolução)
e se alimentam de peixes e outros animais marinhos,
não chegando a mais de 7,5 m do focinho à cauda e três toneladas de peso.
 
Três espécies estavam entre as vítimas:
a baleia-bicuda-de-cuvier (Ziphius cavirostris),
a baleia-bicuda-de-blainville (Mesoplodon densirostris)
e a baleia-bicuda-de-gervais (Mesoplodon europaeus).
As duas primeiras já foram avistadas na costa brasileira.
Quando os pesquisadores chegaram à praia,
alguns dos bichos tinham acabado de morrer e outros ainda agonizavam.
 
A autópsia das baleias-bicudas revelou bolhas de tecido adiposo espalhadas por diversos órgãos vitais,
rompendo vasos sanguíneos e causando hemorragias por toda parte.
Os cetáceos britânicos tinham o mesmo problema, em especial no fígado.
As lesões não foram causadas por doenças, dizem os cientistas.
Nenhuma bactéria patogênica foi detectada nos cadáveres, por exemplo.
 
Descompressão
 
Segundo Fernández,
a melhor explicação para essas bolhas destruidoras é o fenômeno da descompressão.
Mergulhar dezenas ou centenas de metros é uma experiência complicada
porque a pressão exercida pela água aumenta de acordo com a profundidade,
de maneira que o próprio ar presente no corpo se comprime, ou seja, diminui de volume.
 
Caso ocorra um retorno rápido demais a pressões menores,
a tendência é o que o ar se expanda bruscamente,
criando bolhas nos órgãos internos
-algo que mergulhadores humanos aprenderam dolorosamente ao longo dos séculos.
Dá para imaginar o tamanho do estrago desse fenômeno em cetáceos
que mergulham por 40 minutos e saturam o organismo de ar para manter o fôlego.
 
Acredita-se que esses animais tenham desenvolvido maneiras de lidar com a descompressão,
mas mesmo esse sistema não seria capaz de lidar com uma volta súbita à tona.
 
É aí que poderiam entrar os exercícios militares.
O sonar lança potentes pulsos sonoros no ambiente marinho,
que retornam como ecos.
Os padrões sonoros produzidos dessa maneira
indicam a presença de objetos ou veículos dentro da água.
 
Barulho demais
 
Acontece que os cetáceos usam um sistema parecido para se localizar no oceano.
A avalanche dos pulsos de sonar pode ser demais para esses sensores delicados,
levando os animais à desorientação, que culminaria com o retorno acelerado à superfície.
 
Por outro lado,
o sonar pode ter causado diretamente a descompressão ao estimular a formação de bolhas,
como sugerem outras pesquisas.
Fernández diz que não lhe cabe aconselhar o fim das manobras
("Sou apenas um patologista veterinário"),
mas afirma que a preocupação com elas é muito justificada.
(Folha de SP, 11/10)
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Capes desmente fechamento do Portal Periódicos
(David Moisés, para "O Estado de SP")
 
O portal é fonte importante de consulta para pesquisadores brasileiros,
mas custa US$ 18,7 milhões por ano
e a remuneração das editoras aumenta a cada Universidade que se cadastra como usuária,
segundo o presidente da Capes, o sociólogo Marcel Bursztyn.
 
"É o único serviço do gênero que conheço com custo crescente à medida que aumenta a base de usuários",
critica Bursztyn, que assumiu o cargo em agosto.
 
Ele afirma que vem procurando negociar com as editoras um contrato mais favorável e observa que,
"por uma coincidência muito grande",
começaram a circular mensagens na internet "alertando" sobre um suposto plano da Capes de "fechar o portal".
 
Segundo ele, porém, não se cogitou fechá-lo,
"porque tem enorme importância para o progresso do país".
Neste ano, o portal já registrou mais de 7 milhões de consultas.
 
A Capes mantém contrato com 14 editoras desde novembro de 2000, quando lançou o portal.
Elas representam 1.700 editoras científicas do mundo todo e disponibilizam seus textos completos no portal.
 
Sete grandes editoras, porém, concentram a maior parte do material,
entre elas a holandesa Elsevier, cuja remuneração passa de US$ 9,5 milhões anuais.
Os contratos foram firmados na gestão anterior.
(O Estado de SP, 10/10)
Site do Portal:
http://www.periodicos.capes.gov.br
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 Transgênicos:
estudos avaliam perigo de "contaminação"
 
Ruth Helena Bellinghini, para "O Estado de SP":
 
Quem pensa que há poucos estudos
sobre interação entre transgênicos e plantas convencionais está enganado.
A Science publicou quinta-feira, em sua versão on-line,
um estudo sobre canola e a Nature Genetics tem um pacote especial sobre o tema.
 
Cientistas britânicos da School of Plant Sciences, da Universidade de Reading,
avaliaram a taxa de hibridização (mistura) da canola transgênica e a colza, sua 'prima' não-modificada.
O objetivo é apurar em que ritmo isso ocorre e como evitar que aconteça.
 
A pesquisa estima que surgem anualmente no Reino Unido 32 mil colzas híbridas,
mais do que apontavam dados anteriores.
"A nossa situação com a colza é muito diferente da que vocês têm aí com a soja",
adverte Mike Wilkinson, que encabeça o estudo.
 
"Aqui a canola, Brassica napus, tem um parente próximo, a B. rapa, e as duas podem cruzar.
A soja é nativa da Ásia e vocês, no Brasil, não têm nenhuma planta aparentada com ela.'
 
Segundo C. Neal Stewart, professor de genética vegetal da Universidade do Tennessee,
que assina a revisão da Nature Genetics,
é absurdo pensar que a soja transgênica vá espalhar o gene que lhe confere resistência ao herbicida glifosato
para espécies nativas.
"É o mesmo que imaginar um cruzamento de cachorro com elefante."
 
A troca de genes ocorre normalmente entre as plantas cultivadas e suas parentes "selvagens".
Como o gene introduzido nas plantas se comporta como qualquer outro gene,
a mesma dinâmica vale para os transgênicos.
 
Stewart fez uma tabela com os transgênicos
de baixíssimo risco (soja, batata e amendoim),
de baixo risco (milho e arroz),
moderado (beterraba, trigo, canola e girassol)
e alto (sorgo).
 
Segundo os dois, a existência de um híbrido
não quer dizer que o transgene vá se espalhar sem controle pela natureza.
"É preciso ver se os descendentes do híbrido são férteis", explica Stewart.
 
"Depois,
se há um número de híbridos suficientemente grande para que ele se dissemine por cruzamento", diz Wilkinson.
E se o gene é incorporado ao patrimônio genético da planta em definitivo,
o que eles chamam de introgressão.
 
"Se isso ocorrer, é preciso ver se há vantagem para a planta.
Suponha que um transgene torne uma planta resistente a um herbicida que, óbvio, não existe no hábitat natural.
Esse gene não vai lhes dar vantagem nenhuma sobre as demais", diz Stewart.
(O Estado de SP, 10/10)
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Índice mensal de queimadas quase dobra
 (Liana John, para "O Estado de SP")
 
O índice de focos de fogo foi quase duas vezes maior em setembro do que em agosto:
57.892 pontos ou 94% a mais do que os 29.778 focos registrados nesse mês.
O número impressiona,
mas ainda é mais baixo do que o registrado em setembro de 2002 - 61.991.
 
Imagens dos satélites americanos da série NOAA,
processadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e pela Embrapa Monitoramento por Satélite,
revelam também uma expansão das principais concentrações de fogo no sentido Leste-Oeste,
com as chamas dominando a paisagem em praticamente todo o Brasil Central.
 
O Estado recordista continua a ser Mato Grosso, com 16.136 focos ou 28% do total,
seguido por Pará (7.538 focos), Tocantins (6.125), Maranhão (5.157) e Bahia (4.683).
 
Fora de época, como resultado de uma estiagem prolongada,
em sexto lugar vem Minas, com 4.254 focos.
Concentrações importantes ocorreram, ainda,
no interior do Paraná e da Bahia e sertão do Piauí, de Ceará e Pernambuco.
 
Os incêndios cresceram de modo assustador em parques nacionais e reservas importantes,
como a do Jalapão (TO), onde ambientalistas denunciaram vários incêndios criminosos.
 
O fogo atingiu parques no Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima,
Amapá, Tocantins, Piauí, Maranhão, Bahia, Goiás, Minas, Paraná e Santa Catarina.
Frentes de incêndios destruíram parte de florestas e reservas no Pará,
Amazonas, Rondônia, Maranhão, Pará e Tocantins.
(O Estado de SP, 2/10)
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Projeção vê colapso do petróleo após 2010
 
As reservas de petróleo e gás natural se encaminham para um colapso de produção
em algum momento entre 2010 e 2020,
deixando de atender a demanda por serem 80% menores do que se pensava,
diz uma nova projeção.
 
A análise foi apresentada pela Universidade de Uppsala (Suécia).
Ela sugere que os estoques de petróleo alcançarão um pico logo após 2010.
Isso faria os preços dispararem,
com consequências econômicas desastrosas.
 
Kjell Aleklett, da equipe de geólogos que fez a projeção,
disse que são "completamente irrealistas" as estimativas anteriores
de que as reservas somem 18 trilhões de barris de petróleo e de gás natural,
dos quais só 1 trilhão teria sido consumido até agora.
 
Ao lado de Anders Sivertsson e Colin Campbell,
ele disse à revista de divulgação "New Scientist" calcular que restem só 3,5 trilhões de barris.
Comentando o estudo, James McKenzie, do World Resources Institute, afirmou:
 
"Não ficaremos sem petróleo,
mas o que acontecerá é que a produção decairá,
e aí é que o bicho vai pegar".
(Folha de SP, 2/10)
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 Realismo
(editorial de "O Globo")
 
A decisão do governo de liberar o plantio de soja transgênica
causou compreensível mas equivocada indignação em alguns ecologistas e ONGs ambientais
 
Compreensível,
porque se acredita que o plantio de alimentos modificados geneticamente
é prejudicial ao meio ambiente;
equivocada,
porque até hoje não se encontraram indícios convincentes de que haja esta relação de causa e efeito,
e sim indicações muito claras de que o oposto é a verdade.
 
No caso específico da soja Roundup Ready, por exemplo,
a resistência ao herbicida permite que este seja aplicado algumas poucas vezes,
decompondo-se a seguir em substâncias inofensivas,
sendo desnecessário arar a terra e fazer múltiplas aplicações de diversos herbicidas -
o que, além de ser mais caro para os agricultores,
é muito danoso ao meio ambiente.
 
O fator decisivo, entretanto, é mesmo a redução dos custos.
Liberar o plantio foi acima de tudo uma demonstração de realismo porque, proibido ou não,
a produção de transgênicos tende a crescer sem parar, graças às vantagens que oferece.
Tanto que até assentados do MST já plantaram e venderam a soja modificada.
 
Nem por isso deve-se concluir que a polêmica é sem sentido.
Praticamente toda tecnologia tem bons e maus aspectos,
e não há por que pensar que a engenharia genética seja diferente.
 
Mas só é possível evitar seus eventuais maus efeitos recusando o tratamento ideológico da questão,
que leva à rejeição geral, taxativa e na prática inócua.
Aceitar o plantio de transgênicos, mas tomando todas as precauções sensatas,
é o caminho que o realismo indica.
(O Globo, 2/10)
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Estudo questiona datação por sedimentos
 
Reinaldo José Lopes (para a "Folha de SP")
 
A ilusão de que as camadas de sedimento depositadas por um rio
são um registro fiel da marcha de eras passadas
acaba de ir por água abaixo.
 
Pesquisadores americanos e franceses que estudam os rios amazônicos Beni e Mamoré
descobriram que alguns anos respondem por montanhas de sedimento,
enquanto outros simplesmente não deixam rastros.
 
O Mamoré corre na fronteira da Bolívia com o Brasil
e segue território brasileiro adentro, onde é um dos principais afluentes do rio Madeira.
 
Embora as conclusões tenham sido tiradas com base apenas na porção boliviana do rio,
os pesquisadores afirmam que o mesmo deve estar acontecendo em outras bacias fluviais do mundo.
 
"Acho que esse é o caso, e alguns dados preliminares que conseguimos na Califórnia sugerem isso",
afirmou por telefone o geomorfólogo Rolf Aalto, 34,
da Universidade de Washington, em Seattle (costa noroeste dos EUA).
 
Aalto, que criou até um rodapé de e-mail especial para comemorar o achado
("Todos os rios correm para o mar... episodicamente!"),
é o primeiro autor do estudo que sai hoje na revista científica britânica 'Nature' (http://www.nature.com).
 
"Pretendemos investigar o curso inferior do Madeira, com colegas no Brasil,
para verificar se esse padrão se mantém", afirma.
 
Aalto explica que o estudo do Beni e do Mamoré é revelador porque,
ao contrário da maioria dos grandes rios do hemisfério Norte,
eles quase não foram modificados pela ação humana.
 
'Nenhum dos grandes rios dos EUA está nas mesmas condições', diz ele.
 
"Além disso, o Madeira, por exemplo, é o tributário do Amazonas que mais carrega sedimentos",
diz a hidróloga francesa Laurence Maurice-Bourgoin, 38,
pesquisadora do IRD (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, na sigla em francês),
que também participa do estudo.
Ela está no Brasil e atua como professora-associada da Universidade de Brasília (UnB).
 
Segundo Maurice-Bourgoin,
o trabalho da equipe consistiu em examinar o perfil dos sedimentos depositados pelos rios
nas suas margens e nas planícies circundantes
com fotografias aéreas e de satélites,
além de recolher amostras do material e analisá-las.
 
Para datar os sedimentos,
o grupo usou o método do chumbo-210,
que emprega o desaparecimento gradual desse material radioativo
para estimar a passagem do tempo.
 
A vantagem dessa técnica é que essa variante do elemento some muito rápido,
o que permite estabelecer o ano exato em que cada camada surgiu.
 
O resultado fez a equipe coçar a cabeça:
em vez de uma deposição gradual e anual, as camadas "pulavam" períodos,
embora uma nova se formasse, em média, de 8 em 8 anos.
 
Foi só com a correlação de dados climáticos
que Aalto e seus colegas conseguiram flagrar a causa do fenômeno.
 
O vilão, ou melhor, a vilã da inconstância fluvial descoberta pela equipe é La Niña,
o fenômeno climático oposto ao El Niño.
 
Na versão masculina,
trata-se de um aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico na costa oeste da América do Sul,
na altura do Peru, na época do Natal -
daí o nome, que significa "o menino" em espanhol.
Na feminina, um resfriamento anormal.
 
Ao contrário de sua contraparte,
La Niña traz grandes chuvas aos Andes e às cabeceiras dos rios amazônicos.
Mas a coisa é ligeiramente mais complexa
que a simples equação "muita chuva é igual a muito sedimento descendo o rio",
explica Aalto.
 
'Não são só grandes chuvas,
mas grandes chuvas concentradas em períodos reduzidos,
de dois ou três dias', diz o geólogo.
 
O resultado bagunça de vez os métodos de estimar a passagem do tempo
que apostam numa deposição contínua de material por parte dos rios.
 
"Imagine como seria se você se lembrasse de apenas um ano em cada década, e,
desse ano, apenas um de cada dez dias",
compara Chris Paola,
da Universidade de Minnesota,
que comentou o trabalho de Aalto e Maurice-Bourgoin para a "Nature".
 
"Se eu fosse um arqueólogo tentando datar algum evento com base na estratigrafia,
eu certamente teria de tomar cuidado com isso", diz Aalto.
 
A deposição de sedimentos também influi nas cheias dos rios da região,
um processo que poderia ser um tanto perturbado caso a mudança climática altere La Niña:
 
"Isso teria um impacto nas fortes cheias,
principalmente na região mais próxima dos Andes,
que recebe 60% desses sedimentos", afirma Maurice-Bourgoin.
 
De acordo com ela,
o trabalho também ajuda a mostrar como o mercúrio usado na mineração andina
tem sido carregado para a bacia amazônia -
um processo que se intensificou nos últimos anos.
(Folha de SP, 2/10)
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Projeto faz levantamento inédito das águas doces do Brasil
 
Mauro Ventura  (para "O Globo")
 
Com exceção de um ou outro ultraleve e dos pássaros quero-quero,
o som que se ouve no Clube Esportivo de Vôo (CEU), em Jacarepaguá,
é a voz do aviador Gérard Moss explicando como o hidroavião Lake Renegade 250,
originalmente com seis lugares, virou um avião para apenas dois passageiros.
 
- Ele se transformou num laboratório aéreo, todo computadorizado,
capaz de atingir os pontos mais distantes do país - diz Moss.
 
Moss voará o equivalente a duas voltas na Terra
 
Hoje o aviador dá partida no CEU ao projeto Brasil das Águas,
o maior levantamento já feito sobre os rios, lagos e lagoas do país.
Durante um ano, ele e a mulher, Margi, voarão cerca de 100 mil quilômetros
- o equivalente a duas voltas ao mundo -
coletando amostras para medir a qualidade das águas brasileiras.
A partir das 11h, ele vai apresentar o projeto e, mais tarde,
parte rumo à região de Uberaba.
 
Ontem de manhã, a equipe do Globo,
a convite de Moss, fez um vôo de demonstração.
O vento forte não impediu que ele coletasse água na Lagoa de Marapendi.
Durante 15 minutos,
o Lake Renegade voou por sobre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá,
e deslizou nas águas da lagoa.
 
- O hidroavião consegue pegar as amostras em vôo rasante,
só apoiando na água, sem pousar.
Com isso, posso visitar muitos lugares em pouco tempo.
Em 12 a 14 segundos, dá para encher um recipiente com quatro litros - explica ele,
que, em 2001, deu à volta ao mundo num motoplanador.
 
O método desenvolvido por Moss vai permitir que ele chegue a lugares isolados,
como alguns lagos no Acre.
 
- Iremos a muitos locais distantes na Amazônia, aos quais não se tem acesso.
O helicóptero não tem autonomia para chegar lá.
Certamente, vamos descobrir várias espécies de algas e microbactérias.
 
A Agência Nacional de Águas (ANA), parceira no projeto,
mapeou mil pontos que serão visitados por Moss.
 
- Iremos no mínimo a esses mil lugares.
Mas a idéia é coletar em outros pontos que acharmos interessante.
De barco, levaríamos anos até concluir o projeto.
 
O hidroavião foi todo adaptado para a viagem.
Moss fez um furo no casco na parte de baixo,
para permitir a coleta da água.
Uma sonda instalada a bordo
fará a análise imediata de parâmetros físico-químicos como pH, condutividade, salinidade e clorofila.
Ele instalou ainda quatro câmeras fotográficas e quatro de vídeo para registrar as imagens.
Há um aparelho só para pegar sedimentos, que vão servir para analisar metais pesados.
O hidroavião foi apelidado de Talha-Mar,
numa referência à ave que faz vôos rasantes sobre a água para pescar peixes.
 
Hoje, Moss parte em direção à bacia do Rio Paraná,
com paradas em Uberaba, Ribeirão Preto, Presidente Prudente e Londrina.
O Brasil das Águas, patrocinado pela Petrobras e pela Embratel,
teve um ano e meio de preparação.
 
Já há 12 cientistas montando projetos com base no levantamento ambiental que será feito por ele.
Os resultados da pesquisa estarão disponíveis no site http://www.brasildasaguas.com.br
 
- As pessoas vão ver um Brasil diferente.
Todo mundo mostra os lugares mais poluídos.
Queremos mostrar também as águas mais puras do país.
O brasileiro tem que ter orgulho de suas águas.
Precisa se dar conta de que tem essa riqueza estratégica e preservá-la - diz Moss,
de 49 anos, suíço naturalizado brasileiro.
- O mapa da saúde das nossas águas doces vai identificar ambientes que nunca foram contaminados
para que possam ser conservados.
(O Globo, 1/10)
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 Uma política para o cerrado
Washington Novaes
 
A falta de transparência sobre a discussão que se processa no governo federal
a respeito dos 'novos' caminhos do desenvolvimento no Brasil
tem levado alguns setores a vocalizar suas preocupações com alguns dos rumos projetados,
especialmente o avanço da frente agropecuária na Amazônia.
 
Tal avanço seria facilitado pela implantação de hidrovias - destinadas essencialmente
ao escoamento de safras de grãos e de carnes exportáveis -,
pavimentação de rodovias em áreas críticas para a conservação
e criação de um 'cinturão verde' de soja, milho
e outras commodities na região noroeste amazônica, estas escoáveis pelo Pacífico.
 
Preocupante. E mais preocupante ainda quando se dá conta de que os avanços nessa direção
trazem implícito grave problema que nem sequer está em discussão:
projeta-se o avanço na Amazônia
principalmente porque não há mais áreas consideráveis para esses avanços no cerrado.
 
E as conseqüências já são dramáticas.
Segundo a Embrapa Monitoramento por Satélite, de Campinas,
restam hoje, de fragmentos do cerrado com possibilidade de sobrevivência
(acima de 2 mil hectares contínuos, porque em fragmentos pequenos e isolados,
abaixo disso, definham cadeias genéticas e reprodutivas),
menos de 5% do cerrado - isto é, menos de 100 mil quilômetros quadrados.
 
Em quatro décadas,
levou-se à posição de um dos mais ameaçados de extinção no planeta
um bioma que tinha mais de 2 milhões de quilômetros quadrados,
quase um quarto do território brasileiro.
 
O autor destas linhas acaba de ter a oportunidade de comprovar isso
em longa viagem por sete unidades da Federação,
gravando documentário para a TV Cultura, de SP.
Quase nada resta do cerrado originário do Centro-Oeste brasileiro.
 
A reserva legal obrigatória, de 20% da área,
é uma imensa ficção praticamente em toda parte.
E, quanto mais recente a ocupação, maior a devastação, graças a tecnologias mais modernas.
 
Está-se promovendo, inclusive, a drenagem de áreas úmidas -
como no entorno do Parque Nacional das Emas,
no sudoeste goiano, por exemplo - para plantar grãos.
 
Ironia maior,
o cerrado mineiro, magistralmente descrito por Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas,
está reduzido hoje quase que só a um parque sitiado por culturas de grãos
num município chamado Chapada Gaúcha,
em homenagem aos agricultores que para lá levaram esse tipo de cultura.
 
Essa ocupação descuidada, devastadora, do cerrado
está tendo e terá conseqüências muito graves,
até mesmo e principalmente para a própria agropecuária.
 
O cerrado do Centro-Oeste é o berço das águas brasileiras,
que ali nascem e correm para as três grandes bacias -
amazônica, platina e do São Francisco.
Sob o cerrado está também o gigantesco Aqüífero Guarani,
que vai de Mato Grosso ao extremo sul do país.
 
Todas as bacias hidrográficas estão em processo acelerado de degradação,
por causa da forte erosão nas culturas de grãos,
da poluição por agrotóxicos e de efluentes de criações.
 
Nas áreas que não adotaram o plantio direto (e são imensa maioria),
essa taxa de erosão - já se comentou aqui -
chega a 10 quilos de solo perdidos por quilo de grãos produzido.
 
A Agência Nacional de Águas (ANA)
tem forte preocupação com a contaminação dos aqüíferos subterrâneos e sua depleção em certas áreas
(como no oeste da Bahia, afetando a vazão dos rios que correm para o São Francisco).
 
O nível de desperdício de água na irrigação por pivôs centrais é espantoso:
mais de 50%, que se evaporam ou contribuem para a erosão,
incapazes de se infiltrar no solo compactado
(um pivô central que irriga 100 hectares
consome tanta água quanto uma cidade de 30 mil habitantes, segundo a ANA).
 
Já existem métodos para reduzir fortemente esse consumo,
como o do gotejamento, mas a quase totalidade dos produtores se recusa a adotá-los,
sob o argumento de custos maiores.
E convém lembrar que a agropecuária responde por mais de 80% do consumo de água no país.
 
Na pecuária, os levantamentos mais recentes da Embrapa Cerrado
indicam que 70% das pastagens estão em algum nível de degradação.
Ainda seria possível falar dos custos da mecanização intensiva e do êxodo rural na expansão caótica das cidades -
mas já se comentou aqui em outros momentos.
 
Mais espantoso ainda é lembrar os estudos da mesma Embrapa,
segundo os quais se poderia dobrar, até triplicar, a produtividade nas lavouras do cerrado,
com o uso de tecnologias mais modernas.
 
Seria possível evitar a maior parte dos dramas da pecuária,
com sistemas que promovessem a rotação culturas/pecuária.
O nível de erosão do solo poderia ser extraordinariamente reduzido com a extensão do plantio direto.
 
Boa parte dos produtores, entretanto, tem raciocinado a prazo curto -
calculando apenas a rentabilidade imediata do investimento em terras 'baratas'.
 
E para isso se conta sempre com a possibilidade de avanço da fronteira,
quando do esgotamento do modelo em algum lugar.
Para exportar grãos e carnes absorvendo custos ambientais e sociais que os importadores não pagam.
 
É preciso conceber e pôr em prática, com urgência, uma política para o cerrado.
Que envolva o sistema de crédito e, por meio dele,
impeça a continuação e expansão do sistema onde for predatório.
 
Que torne realidade a ficção das reservas legais, fiscalize seu cumprimento,
torne mais ágil a atuação do Ministério Público.
Que crie e execute políticas públicas exigentes na área de recursos hídricos.
 
Que tire a Embrapa - uma extraordinária usina e repositório de conhecimentos preciosos -
da semifalência orçamentária em que se encontra.
 
Mais urgente que tudo,
uma política capaz de salvar o que ainda for possível da rica biodiversidade do cerrado,
cerca de um terço da biodiversidade brasileira.
 
Aí mora o futuro.
Mas especialistas dizem que, para ter garantia,
são necessárias reservas com mais de 100 mil hectares -
e as três únicas foram criadas em 1961 por Juscelino Kubitschek.
Ao todo, o cerrado só tem 3,7% do território protegidos.
O cerrado está pedindo socorro. Urgente.
(O Estado de SP, 29/8)
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 De acordo com estudo de DNA, insetos têm dupla origem
 
Ancestrais do grupo teriam colonizado terra firme em eventos separados
 
Reinaldo José Lopes escreve para a 'Folha de SP':
 
Uma estranha repetição evolutiva pode estar
por trás da origem dos animais mais numerosos e diversificados da Terra,
os insetos.
 
A análise genética de dezenas de espécies do grupo sugere que esses bichos colonizaram a terra firme duas vezes,
com um intervalo de muitos milhões de anos entre cada migração.
 
Os primeiros pioneiros a deixar a água poderiam ser até mais antigos que os próprios crustáceos
(o grupo dos camarões e caranguejos), considerados hoje os ancestrais do grupo.
 
'Ainda não podemos afirmar que eles surgiram antes de todos os crustáceos,
porque a nossa análise não incluiu espécies suficientes desse grupo',
disse à Folha o biólogo Francesco Nardi, da Universidade de Siena (centro-norte da Itália).
 
'Ela certamente mostra que eles são mais antigos que pelo menos uma parte dos crustáceos',
diz Nardi, coordenador do estudo que saiu na última edição
da revista norte-americana 'Science' (http://www.sciencemag.org).
 
Os dados vieram do DNA mitocondrial, que só é encontrado nas mitocôndrias,
microusinas de energia das células que contêm seu próprio material genético, isolado do núcleo celular.
Por terem um genoma pequeno, cujas mutações são fáceis de rastrear,
as mitocôndrias são muito usadas para estudar a história evolutiva.
 
Fundamentais para o sucesso dessa análise foram os colêmbolos,
criaturas cujo esquema corporal (cabeça, tórax com seis patas e abdome) é igual ao dos insetos e que,
por muito tempo, foram consideradas as formas mais primitivas do grupo.
 
O DNA mitocondrial de 35 espécies de artrópode, incluindo mosquitos, moscas, bichos-da-seda, abelhas,
caranguejos e colêmbolos, foi comparado por Nardi e seus colaboradores.
 
A árvore genealógica criada a partir desses dados mostrou que ao menos os colêmbolos
pareciam ter se separado bem antes do ramo que deu origem aos crustáceos,
se comparados com os demais insetos.
Insetos teriam surgido diretamente a partir dos crustáceos -quando, é difícil dizer.
 
'Entre espécies tão diferentes umas das outras,
é difícil usar a técnica do relógio molecular para calcular isso', afirma Nardi.
'A separação deve ter acontecido em algum momento do Cambriano
[entre 590 milhões e 505 milhões de anos atrás]', diz o biólogo.
 
Para o pesquisador, a explicação para que seres tão distantes tenham se tornado tão parecidos
pode estar na chamada evolução convergente,
na qual origens diferentes geram resultados semelhantes na adaptação a um mesmo ambiente.
'É o caso da cutícula de ambos, adaptada ao ambiente terrestre', afirma Nardi.
(Folha de SP, 25/3)
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Tuberculose: mutirão mundial cura 10 milhões
 
São 155 países seguindo uma estratégia internacional: Brasil é o 15º no ranking
 
Luciana Miranda, para 'O Estado de SP':
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) teve ontem o que comemorar no Dia Mundial da Tuberculose.
Desde 1995, 10 milhões de pessoas que contraíram tuberculose
foram diagnosticadas e tratadas de acordo com estratégias internacionais de controle da doença.
A maior parte desses pacientes - mais de 90% deles - mora em países em desenvolvimento.
 
Apesar de seguir as normas internacionais de controle da tuberculose,
o Brasil está entre os 22 países com maior número absoluto de casos da doença,
ocupando o 15.º lugar no ranking.
 
Esse grupo de nações é responsável por 80% dos casos da doença no mundo, de acordo com a OMS.
Segundo dados do Centro Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde,
em 2001, o País registrou 71.319 casos de tuberculose e 5.381 mortes.
 
Dos 192 países que fazem parte da OMS, 155 já adotam as normas de controle da doença.
Ao todo, mais de 60% da população mundial tem acesso a serviços de saúde
que seguem as estratégias internacionais para combater a tuberculose.
Os dados fazem parte de um relatório sobre doença no mundo,
divulgado nesta segunda-feira pela OMS.
 
Tratamento - Uma das estratégias internacionais de combate à tuberculose é o tratamento supervisionado.
Significa que o paciente toma o remédio todo dia na frente de um profissional de saúde.
 
O tratamento precisa ser seguido à risca, sem interrupções, por seis meses.
Se o paciente deixa de tomar os remédios,
a bactéria que provoca a doença (também chamada de bacilo) fica resistente.
Nesse caso, são necessárias drogas mais fortes e caras e,
mesmo assim, com menor chance de cura - só 20% em vez de 100%.
 
O tratamento da tuberculose no Brasil é todo centralizado na rede pública de saúde.
A meta é curar 85% dos pacientes.
Para atingir esse objetivo,
a coordenadora do Programa de Controle de Tuberculose no Estado de São Paulo, Vera Galesi,
explica ser necessário que 70% dos pacientes tenham tratamento supervisionado.
 
São Paulo é o Estado com maior número absoluto de casos de tuberculose.
A cada ano, 21 mil casos são registrados.
'Desses, 18 ou 19 mil são novos e o restante é retratamento', diz Vera.
Por ano, o Estado registra 1.500 mortes provocadas por tuberculose.
 
A doença é uma ameaça a mais para quem tem aids.
'Tuberculose e aids são epidemias que caminham juntas,
aumentando o poder devastador que têm',
alerta Peter Piot, diretor-executivo do Programa de Aids das Nações Unidas.
'Tratar tuberculose não resolve a epidemia de Aids, mas salva vidas.'
 
Qualquer pessoa pode pegar tuberculose:
basta estar com o sistema imunológico deficiente ao entrar em contato com o bacilo.
A bactéria fica no ar, depois de expelida por tosse ou espirro de um doente.
O principal sinal de alerta é uma tosse por mais de três semanas.
'Pessoas com esse sintoma devem procurar um serviço médico', recomenda Vera.
(O Estado de SP, 25/3)
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  Embrapa isola novas estirpes de bactérias
para controle biológico de mosquitos
 
Bioinseticidas podem ajudar no combate ao mosquito transmissor da Dengue
 
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
uma das 40 Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
mantém um Banco de Germoplasma de Agentes de Controle Biológico,
onde estão depositadas bactérias, fungos e vírus
que tem potencial para efetuar o controle biológico de pragas da agricultura
e de mosquitos vetores de doenças tropicais.
 
No caso do controle de mosquitos,
alguns isolados de bactérias desse Banco de Germoplasma
já foram repassadas para uma indústria situada em Brasília (DF),
que iniciará, dentro em breve, a produção, no Brasil,
de bioinseticidas para o controle de mosquitos.
As pesquisas de isolamento e avaliação de novos isolados continuam,
em um projeto financiado pela Finep,
com o objetivo de encontrar bactérias com maior atividade contra as larvas dos mosquitos
ou que possuam outras características de interesse para a produção dos bioinseticidas.
 
Recentemente, dois Boletins de Pesquisa e Desenvolvimento
foram lançados pela equipe liderada por Rose Monnerat da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
com os resultados dos trabalhos de seleção de novos isolados de agentes de controle biológico.
 
No Boletim denominado 'Prospecção de estirpes de Bacillus thuringiensis efetivas contra mosquitos',
foi realizado um amplo estudo de 210 isolados brasileiros de B. thuringiensis,
tendo-se realizado bioensaios contra larvas do mosquito urbano (Culex quinquefasciatus)
e do mosquito da dengue (Aedes aegypti).
 
Entre os isolados avaliados,
quatro mostraram-se tóxicos contra A. aegypti e dois contra os dois mosquitos.
Embora os isolados bacterianos sejam letais contra larvas de mosquitos,
eles não foram mais tóxicos do que o isolado denominado Bacillus thuringiensis israelensis (Bti) IPS 82 que é,
atualmente, utilizado em alguns produtos comerciais fabricados em outros países.
 
Uma característica interessante dos isolados brasileiros
é que a composição das toxinas que matam os mosquitos é diferente da do isolado IPS 82,
fazendo com que esses isolados surjam como alternativas para a produção de novos bioinseticidas,
caso os atuais venham a causar resistência nas populações de mosquitos.
 
No outro Boletim,
denominado "Prospecção de estirpes de Bacillus sphaericus tóxicos contra Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus",
246 isolados dessas bactérias provenientes de diferentes regiões brasileiras, foram avaliados.
 
Dentre todas elas,
69 apresentaram toxicidade apenas contra C. quinquefasciatus
e 18 contra as duas espécies de mosquitos.
A sequência das pesquisas permitiu selecionar dois isolados com atividade dupla
que se mostram promissores para a produção de bioinseticidas brasileiros.
 
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
pode disponibilizar a utilização das estirpes selecionadas
mediante a assinatura de contratos com empresas interessadas.
 
Os Boletins de Pesquisa e Desenvolvimento encontram-se disponíveis no site
http://www.cenargen.embrapa.br/publica/download.html
ou podem ser solicitados pelo endereço sac@cenargen.embrapa.br.
 
A distribuição é gratuita.
(José Manuel Cabral de Sousa Dias, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia)
(Jornal da Ciência - SBPC, 25/03)
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