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Manuseio de Peixes
 
Por Marcelo De Negri Xavier
Zootecnista
 
O Muco Protetor
A delicadeza dos opérculos
O manuseio ideal
A resistência do peixe
à privação de oxigênio
O puçá ideal para pesca esportiva
O Manejo com o peixe fora d'água
 
 
 
O Muco Protetor
 
A maioria dos peixes possuem um muco protetor que recobre seu corpo.
É aquela substância lisa que fica na nossa mão, quando o pegamos.
É exatamente este o problema.
Quando pegamos o peixe com a mão, retiramos parte do seu muco,
e o  peixe perde parte de sua proteção.
Fica mais exposto à fungos, bactérias, e ainda,
fica olfativamente mais perceptível por predadores.
 
Para diminuir a retirada de muco no manuseio,
pode-se utilizar sacos plásticos nas mãos e no colo,
ou algum outro material liso e impermeável.
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A delicadeza dos opérculos
 
Os opérculos são aquelas aberturas dos lados da cabeça do peixe
que fazem parte da sua estrutura respiratória.
 
Os opérculos servem basicamente para duas funções:
- para proteger as guelras, que são estruturas respiratórias mais delicadas; 
- para fazer um "vácuo" e com isto puxar a água para dentro da boca do peixe;
 
A água utilizada para respiração, entra pela boca e sai pela abertura do opérculo.
Ao passar pelas guelras,
esta água leva ao peixe o oxigênio que está dissolvido na água,
e que ele necessita para suas funções metabólicas.
 
Para um impacto externo, o opérculo costuma ser bastante resistente,
mas é muito frágil se em suas aberturas forem introduzidos objetos ou dedos.
 
Na borda do opérculo, existe uma mui estreita, fina e delicada "sobra" de pele.
Esta pele é que veda, como uma válvula, quando há o movimento de abertura do opérculo,
e que possibilita então a formação do "vácuo", que permite ao peixe sugar a água pela boca.
Num manuseio inadequado, esta pele é das primeiras coisas prejudicadas,
em seguida, estão as delicadas gelras.
 
Ainda pior, é se o peixe for suspendido pelos opérculos.
Isto ocasiona a distensão de toda a estrutura muito além dos seus limites normais,
ocasionando prejuízo à musculatura respiratória
e até rasgando e/ou quebrando as finas cartilagens e ossos estruturais.
 
Portanto, quando se pretende soltar o peixe depois de capturado,
jamais pegá-lo pelos opérculos (guelras).
 
Se um anzol prejudicar alguma estrutura vital como esta,
será melhor levar o peixe à panela, do que soltá-lo moribundo.
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O manuseio ideal
 
Pode-se dizer que todo o ato de pescar gera estresse nos peixes.
Algumas espécies podem até estar acostumadas com algumas espetadas ocasionais,
frutos dos espinhos das sua presas,
muitos deles com substância urticantes e farpas terríveis.
 
Algo que eles não estão acostumados,
é serem puxados insistentemente por uma linha, e do manuseio seguinte.
 
Para que haja um menor estresse, deve-se cansar o peixe até que ele não mais lute.
Nestas condições, ele fica meio entorpecido pela falta de oxigênio,
podendo ser manuseado com segurança para o peixe e para a pessoa.
 
Quando solto, tão logo recupere sua capacidade respiratória,
naturalmente vai recobrando a plena consciência,
e reiniciando suas atividades com certa tranqüilidade.
 
A resistência do peixe 
à privação de oxigênio 
varia com alguns fatores como:
- espécie 
- idade 
- temperatura da água 
- temperatura do ar 
- qualidade da água 
- estado nutricional 
- estado digestivo 
- ritmo circadiano 
- estágio reprodutivo 
- capacidade aeróbica do indivíduo 
- experiências individuais
- ainda outras, de menor influência;
 
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O puçá ideal para a pesca esportiva
(Modelo CEPEN ecofishing 6)
 
Estrutura constituída por:
aro Pode ser metálico, e ter um diâmetro médio de 40 cm.  Serve para manter aberta a boca do saco.
cabo Pode ser metálico, de madeira, etc., e ter um comprimento confortável que vença a altura da embarcação ou barranco onde será comumente empregado. 
saco Constituído de duas camadas: 
A externa, é um saco de tela plástica fina (tipo sombrite ou tela de janela contra mosquitos); 
A interna, é um saco plástico liso e forte, que forma um forro sem fundo (para a livre saída da água).
 
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O Manejo com o peixe fora d'água
 
De um modo geral, somente peixes pequenos (menos de 500 g) devem ser içados pela linha.
Algumas espécies com boca frágil, até menores devem ser colhidos com o puçá.
 
O puçá deve ser manejado de modo a colher o peixe por trás,
ficando desta forma, com a cabeça e a linha voltados para a abertura,
facilitando os procedimentos de retirada do anzol.
O peixe, deve permanecer dentro do puçá, para que não se fira caso se debata.
Se houver interesse em fotografá-lo, este deve ser tomado cuidadosamente nas mãos.
Neste caso, o ideal seria manuseá-lo utilizando, luvas plásticas.
 
Todas estas ações com o peixe fora d'água, devem ser realizadas em tempo muito curto,
pois o peixe já estava cansado e "sem fôlego'' antes de ser retirado da água.
 
Imagine, se imediatamente depois de uma louca corrida à pé,
você não tiver oxigênio para respirar.
Lembre-se disto, e procedendo com rapidez e cuidados,
você estará dando exemplo à criançada que assiste,
e perpetuando este nobre esporte conservacionista.
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