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Coluna do Pescador
por Martin Fisher*
O Jundiá,
Rhamdia quelen
O Jundiá
Comportamento reprodutivo
Comportamento alimentar
Esportividade da sua pesca
Dicas para pesca
Alguns perigos e recomendações
para a criançada
Gastronomia
*Martin Fisher é pseudônimo de
Marcelo De Negri Xavier
para assuntos de pesca
O nome "Jundiá" é utilizado popularmente para diversas espécies,
mas aqui a utilizaremos para a espécie
Rhamdia quelen.
Sob o nome científico
Rhamdia quelen
, ou para nós, simplesmente jundiá,
estão diversas subespécies ainda não bem estudadas pela ciência,
mas conhecidas por muitos pescadores.
Distribui-se por boa parte da América do Sul,
e portanto, em quase todas as bacias hidrográficas.
Segundo alguns destes pescadores de observação mais acurada,
"em vários locais, há mais de um tipo de jundiá,
e eles são diferentes na aparência, tamanho, coloração, etc.,
e até no comportamento".
Certo é porém, que são espécies ou subespécies geográficas,
que embora semelhantes na aparência, constituem grupos genéticos diferentes.
Este grupo chamado
Rhamdia quelen
, promete bons ganhos econômicos em piscicultura,
já por apresentar carne saborosa e com poucos espinhos,
velocidade de crescimento, resistência à condições comuns de cultivo,
mas também por sua produção ser relativamente barata
e portanto competitiva com outras carnes.
Infelizmente, a ciência não está conseguindo acompanhar
a velocidade dos acontecimentos econômicos,
e muito da sua variabilidade genética na natureza está sendo perdida.
Veja a matéria:
> O Livre Suicídio da Piscicultura Sul-americana
Ocorre natural e preferentemente em águas correntes,
mas eventualmente até se reproduz em açudes.
Seu corpo é revestido de couro, apresentando uma longa nadadeira adiposa.
A coloração varia com a subespécie,
indo do pardo à diversos tons de cinza, mas em geral com o ventre mais claro.
Alcança normalmente cerca de 40 cm de comprimento, e até 2 Kg.
Comportamento reprodutivo
No período reprodutivo, que ocorre na primavera e começo do verão,
podem ser eventualmente observadas significativas aglomerações desta espécie em certos locais,
geralmente baixios correntosos,
especialmente onde haja um obstáculo fortemente correntoso e pedregoso
a ser vencido em seus deslocamentos reprodutivos.
Comportamento alimentar
Pode se alimentar em todas as horas do dia, mas prefere a noite,
notadamente em rios com águas mais transparentes.
Parece haver uma distinção comportamental por faixa etária,
pois de dia são capturados mais comumente os menores, e à noite os maiores.
Come peixes, minhocas, larvas, crustáceos, etc.
Quando em repouso, ficam escondidos:
entre pedras, galhos submersos, tocas de cascudo abandonadas,
na folharada que se deposita nos locais mais profundos,
de água mais lenta e com rebojos remansosos.
Se está com fome, e a água com boa temperatura,
basta que sinta o cheiro de alimento caindo na água,
que já saem rente ao chão e barrancos, em sua procura.
...e isto, para o pescador é interessante
:
Peixes de orientação olfativa, como os que tem "bigodes" longos,
andam preferentemente restes ao fundo e rentes às paredes do barranco como se fossem o fundo,
com seus bigodes para frente e para os lados, fazendo uma veredura olfativa e tátil nas superfícies,
e lá deve estar a isca.
Esportividade da sua pesca
Mesmo pescadores habilidosos perdem muita "corrida" do peixe.
Ele pode comer a isca sem correr, mas geralmente dá boas "beliscadas",
agradavelmente sentidas na linha de mão, arte de pesca muito apropriada para esta espécie.
A espécie não é lutadora, mas requer pescador atento à sua beliscada na isca.
O jundiá livra-se do anzol com certa facilidade,
sobretudo quando fora da água.
Quando capturado com anzol, pode ter sua boca rasgada,
prejudicando sua vida futura, se solto novamente.
Exemplares menores tendem a não se ferir, e deverão ser soltos sempre.
Capturado com rede, pode durar vivo enredado muitas horas,
mas geralmente morre por debater-se muito e ficar bastante emaranhado.
Quando morre, estraga-se logo, notadamente quando em águas mornas.
Dicas para pesca
Para isca de anzol,
são comumente empregadas uma variedade de carnes
como fígado de galinha passado na farinha de mandioca e seco ao sol,
mas as minhocas são normalmente por eles muito apreciados.
No geral quanto mais quente as águas do rio, melhor.
É peixe pescado especialmente após chuva torrencial de verão e outono,
quando as águas do rio ficam embarradas.
Em certas regiões do Brasil, especialmente no sul,
esta atividade chega ser tradição familiar do pessoal de origem italiana.
Para pesca de anzol:
utiliza-se uma linha de fundo,
com chumbada corrediça e com ponta livre de uns 20 cm.
O anzol pode ser fino, mas longo,
(1,5 a 2 cm de abertura, por uns 3 a 4 cm de comprimento)
para acomodar bom pedaço de minhoca ou outra isca.
Alguns perigos e recomendações para a criançada
Apresentam espinhos nas nadadeiras peitorais,
mas apesar de serem bastante lisos, não costumam se debater na mão,
sendo portanto, de baixa periculosidade.
Mesmo assim, merecem ser convenientemente apresentados para a criançada.
Gastronomia
Espécie muito apreciada.
Quando preparada para fritura, é temperada com sal...
e pode receber ou não cobertura de farinha de trigo ou mandioca.
Fica muito bom também em ensopados, como muitos preferem.