A abundância de chuvas tem causado
nefastas conseqüências,
sobretudo para o pessoal que mora ou cultiva
em áreas baixas e alagadiças,
o que tem sido amplamente noticiado pela
mídia.
Passa, porém, desapercebido pela maioria
da população, o conjunto de benefícios
também advindos do El Niño.
Meses atrás, a região sul do
Brasil enfrentava uma longa estiagem,
com a conseqüente penúria dos
seus rios,
como o registrado no Rio da Várzea
pelo DM de 16 de maio de 1997.
As chuvaradas dos últimos meses trouxeram
fartura de água aos rios justamente no período reprodutivo
(primavera e verão) da maioria das espécies de peixes.
Quando os rios se alargam para fora do leito,
possibilitam o trânsito dos peixes
sobre o solo de campos e matas
onde há maior oferta de alimento natural
como sementes, frutas, raízes,
e pequenos animais como insetos, minhocas,
etc..
Peixes melhor alimentados produzem desovas
mais abundantes
(uma única fêmea de certas espécies
de peixe
pode produzir milhões de óvulos
por temporada).
Esta profusão de óvulos resulta
numa quantidade impressionante de alevinos.
Simultaneamente a este processo reprodutivo,
uma outra “fábrica de vida” desenvolve
intensa atividade.
Na cheia, os rios e seus organismos alcançam,
dissolvem e decompõem
maior volume de matéria orgânica,
liberando minerais que fertilizam a água.
Água fértil sob a luz do sol
produz microalgas ditas fitoplâncton,
que são a base da cadeia alimentar
da maioria dos organismos aquáticos,
e isto é tudo o que os alevinos
precisam para seu desenvolvimento inicial.
Para os peixes, o velho ditado de que o maior
come o menor, é muito apropriado.
Quanto mais comem, mesmo que os da mesma
espécie, mais rápido crescem.
Neste ambiente com abundância de alimento,
porém,
até o canibalismo entre os jovens
é menor.
Quando as cheias ocorrem por um período
prolongado
como o ocorrido nos últimos meses,
a fartura reflete-se na dinâmica das
populações de peixes,
que favorecidas, passam muitos meses em abundância.
Nesta festa dos peixes em que o rio é
o anfitrião,
comparecem o ribeirinho com seu prato,
o turista com sua alegria, o município
com sua estrutura, e,